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Por Bruno Toledo (OC)

1429296266_761323_1429298561_noticia_grandeAtualmente, o Estado de São Paulo vive duas crises históricas. A primeira já se tornou um lugar-comum na mídia e no debate público no último ano: a crise hídrica, que continua ameaçando o abastecimento de água na região metropolitana de SP e em algumas cidades do interior. Mesmo com o retorno das chuvas no último verão, o volume de água não foi suficiente para encher os reservatórios que abastecem o Estado – e, tendo em vista que estamos entrando no período do ano tradicionalmente mais seco, ainda estamos vivendo sob o risco de um racionamento de água nos próximos meses.

A segunda crise vem ganhando destaque nas últimas semanas, principalmente no interior paulista: a epidemia de dengue. Desde o começo do ano, apenas na cidade de SP, já foram diagnosticados mais de oito mil casos, quase o triplo do registrado até esse período no ano passado. De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência de dengue na capital chega a 70 casos por 100 mil habitantes. No interior, o cenário é ainda pior: a incidência chega a 585 casos por 100 mil habitantes. O cenário crítico de São Paulo segue a tendência nacional nesse ano: até o começo de abril, foram registrados mais de 460 mil casos em todo o país.

hrtjrut6u5uUma explicação inicial para essa epidemia de dengue em SP está intimamente ligada à crise hídrica pela qual os paulistas atravessam desde o ano passado. Com os frequentes problemas no abastecimento de água em algumas regiões do Estado (interrupção por períodos prolongados, diminuição da pressão nos encanamentos, etc.), muitas pessoas estão armazenando água em baldes, galões, tanques e caixas d’água – recipientes que, caso não estejam selados, são propícios para a procriação do mosquito Aedes Aegyptib (foto ao lado), o principal vetor de proliferação do vírus nos seres humanos.

Outra explicação, complementar à primeira, está nas altas temperaturas registradas no último verão: com temperaturas mais altas, o ciclo de vida de uma lava pode passar de dez para sete dias, o que significa menos tempo para eliminar os focos de procriação e mais mosquitos se desenvolvendo e espalhando a dengue nas cidades.

Curiosamente, essa relação entre crise hídrica, temperaturas altas e epidemias crônicas também está sendo observada na Califórnia, estado norte-americano que passa por problemas similares aos enfrentados pelos paulistas nos últimos meses.

Da mesma forma que aqui, a Califórnia passa por um período histórico de seca, que está afetando diretamente o abastecimento de água para o estado mais populoso dos Estados Unidos. Os reservatórios locais estão com volume suficiente para garantir o abastecimento somente para os próximos 12 meses. Os lençóis freáticos, uma fonte tradicionalmente utilizada pela agricultura no estado (em anos anteriores, quase 40% da água consumida na Califórnia era proveniente de poços; no ano passado, esse volume passou para 65%), também estão sofrendo com os efeitos da seca na costa oeste norte-americana.

sprayingNo começo desse mês, o governador Jerry Brown determinou a redução obrigatória de 25% do consumo de água em toda a Califórnia, medida inédita na história dos Estados Unidos. Os efeitos da crise hídrica naquele estado, da mesma forma que a crise paulista, ameaçam a economia de todo o país: mais da metade das frutas e verduras produzidas nos Estados Unidos são provenientes da Califórnia.

Pois bem, os californianos também estão enfrentando problemas de saúde decorrentes dessa seca histórica. Da mesma forma que os paulistas estão sofrendo com a dengue, os habitantes do “Golden State” estão vivendo uma epidemia da Febre do Nilo Ocidental. O Departamento de Saúde Pública local anunciou que o ano de 2014 foi recordista no registro de casos dessa doença em dez anos. No ano passado, foram diagnosticados mais de 800 casos (500 a mais que em 2013), com 31 mortes.

O vírus do Nilo Ocidental também é transmitido pelo homem através de mosquitos, que o adquirem ao se alimentar de pássaros infectados. Os sintomas normalmente incluem febre alta, dores de cabeça, e rigidez na nuca. Nos casos mais graves (que chegam a apenas 1% dos infectados pelo vírus), os pacientes desenvolvem problemas neurológicos graves, que podem levá-los ao óbito rapidamente.

De acordo com pesquisadores locais, uma explicação para esse salto no número de casos está nos efeitos da seca na Califórnia. Com a estiagem, tanto os pássaros como os mosquitos acabam expandindo suas áreas de busca por fontes de água, aproximando-se de regiões habitadas por seres humanos. O problema da reprodução dos mosquitos é o mesmo que em SP: com mais recipientes estáticos a céu aberto, os mosquitos se reproduzem com mais facilidade e rapidez, o que resulta em maior contaminação.

Com a perspectiva de continuidade da seca na Califórnia, as autoridades sanitárias locais já se preparam para enfrentar ainda mais casos de Febre do Nilo Ocidental, em particular nas regiões do Central Valley e do sul do estado.

Saiba mais sobre a crise hídrica na Califórnia aqui (em inglês).

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O primeiro trimestre de 2015 foi o mais quente já registrado no planeta desde que medições com termômetros começaram a ser feitas, em 1880. Os dados foram divulgados pela Noaa, a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA.

Segundo a agência, as temperaturas combinadas da superfície da terra e dos oceanos foram 0,82oC mais altas do que a média do século, ultrapassando o recorde anterior, de 2002, em um modesto, mas distinguível, 0,05oC.

A maior parte da Europa, da Ásia, da América do Sul, do leste da África e do oeste da América do Norte estavam muito mais quentes do que a média.

No mês de março, regiões do noroeste da América do Norte, da África Central e oeste da Sibéria bateram recordes de calor, enquanto o nordeste dos EUA e do Canadá estavam mais frios que a média. O leste do Brasil também registrou temperaturas bem superiores à média no mês.

A extensão de gelo marinho no Ártico em março foi a menor verificada para o mês em toda a história – 7,2% abaixo da média entre 1981 e 2000. A cobertura de neve do hemisfério Norte foi a sétima menor já medida. O gelo marinho da Antártida, por outro lado, ficou 24,3% acima da média de 1981-2000.

Esses números, sozinhos, não dizem grande coisa; pessoas que negam a influência humana no aquecimento global, um gênero em extinção, poderão argumentar, com razão, que uma diferença de 0,05oC não é impressionante. Além disso, há lugares que esfriaram, certo?

Acontece que é preciso olhar o planeta em contexto e a série histórica inteira. O clima não se faz com eventos isolados, mas com tendências. Ainda que 2014 tenha sido o ano mais quente já medido, por exemplo, essa informação sozinha não faria diferença se todos os anos anteriores a 2014 no século 21 também não estivessem entre os mais quentes. Veja o gráfico abaixo, que mostra o primeiro trimestre de 2015 em comparação aos anos anteriores.

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A história que os termômetros contam é uma só, de aquecimento contínuo. Embora tenha havido desde o fim do século XX uma desaceleração na taxa de aquecimento (e nós já sabemos por quê), o planeta continua ficando progressivamente mais quente. Novos recordes são esperados a qualquer momento. São apenas uma questão de tempo.

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Criança toma anestesia no Afeganistão (Creative Commons) Um estudo publicado nesta semana por pesquisadores suíços e coreanos acaba de confirmar o dito popular de que não há cirurgia sem dor. A dor, no caso, é sentida pela atmosfera: eles descobriram que um conjunto de gases anestésicos cada vez mais popular entre os médicos é milhares de vezes mais potente que o dióxido de carbono em reter o calor na atmosfera.

A sorte é que, por enquanto, as emissões globais desses compostos são mínimas. Porém, uma vez que as concentrações de CO2 no ar não param de subir, tudo de que a humanidade não precisa agora são novos gases de efeito estufa soltos por aí.

Os novos trombadinhas do clima se chamam fluranos. São compostos halogenados de carbono, aparentados com os CFCs, gases que causam o efeito estufa e danificam a camada de ozônio. O principal deles é o desflurano, vendido no Brasil sob o nome comercial de Desforane. Os médicos e os pacientes adoram o Desforane para anestesia geral: ele é inalável (dispensa injeção), não tem os efeitos colaterais de outros anestésicos e propicia uma recuperação rápida do paciente, uma vez que muito pouco dele é absorvido e metabolizado pelo organismo.

São precisamente essas características que fazem com que virtualmente todo o desflurano usado no planeta vá parar na atmosfera. Com menos de 20 anos no mercado, a substância já foi detectada até mesmo no remoto arquipélago das Shetland do Sul, na Antártida.

No novo estudo, publicado na última terça-feira (7/4) no periódico Geophysical Research Letters, os pesquisadores liderados por Martin Vollmer, do Laboratório Federal de Poluição do Ar e Tecnologia Ambiental, na Suíça, estimaram pela primeira vez o potencial de aquecimento da atmosfera do desflurano e de seus irmãos menos utilizados, o sevoflurano e o isoflurano.

O grupo cruzou os dados de fabricação e consumo desses gases com medições diretas, feitas a bordo de um navio num cruzeiro no Pacífico Norte, num telhado na região metropolitana de Zurique e na estação antártica coreana King Sejong. Constatou que a concentração global de desflurano no ar é pequena: 0,3 parte por trilhão (para dar uma ideia, o dióxido de carbono ocorre na atmosfera a cerca de 400 partes por milhão, ou seja, é 100 milhões de vezes mais abundante).

No entanto, a baixa concentração é em parte compensada pelo longo tempo de vida na atmosfera e pelo alto potencial de aquecimento global: cada molécula de desflurano tem o mesmo potencial de esquentar o planeta que 2.500 moléculas de CO2.

Vollmer e seus colegas estimam que, só em 2014, as emissões de gases anestésicos equivaleram a 3 milhões de toneladas de CO2. Isso equivale às emissões de um terço da frota de carros da Suíça, um país pequeno. Mas, mesmo assim, é motivo de preocupação. “As grandes quantidades usadas em cada cirurgia (…), somadas às suas propriedades atmosféricas, fazem dele [o desflurano] um composto indesejável do ponto de vista do clima”, escreveram os cientistas.

 

 

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Por Bruno Toledo (OC)

water-424807_1280Passada a temporada de chuvas em SP, o alívio foi pouco: mesmo com os reservatórios mais cheios, o volume de água ainda está muito abaixo do desejado e o perigo de desabastecimento continua mais vivo do que nunca, principalmente nos próximos meses, com as estiagens de inverno.

Por isso, a economia de água continua sendo a ordem do dia no Estado de São Paulo. Para que possamos garantir melhores condições hídricas nos próximos meses, precisamos reduzir ainda mais o consumo de água. Os números continuam apontando para um desperdício grande de água no Brasil: o brasileiro consome em média 165 litros de água todos os dias, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que esse consumo poderia ser mais baixo, entre 50 e 100 litros, o que continuaria atendendo confortavelmente as necessidades diárias de cada pessoa.

E para nos ajudar nesse esforço de redução de consumo e uso mais racional de água, a Aliança pela Água, coalizão de organizações da sociedade civil preocupadas com a segurança hídrica do Brasil, lançou a publicação online Água – Manual de Sobrevivência para a Crise.

Além de dicas para economizar água, o manual ensina também estratégias para sobreviver ao colapso – ou seja, caso a falta de água se prolongue por muito tempo.

Para a Aliança pela Água, a segurança hídrica do país depende de três fatores fundamentais: zerar o desmatamento, despoluir os rios, e recuperar parte da cobertura florestal brasileira, a começar pelas áreas de manancial e margens dos rios. Além disso, o poder público, junto com a sociedade civil, precisa desenhar um planejamento de longo prazo para a gestão da água

Confira algumas das dicas desse manual para enfrentar a crise hídrica atual:

– armazene a água do chuveiro enquanto ela esquenta e a use para lavar louça e roupas;

– água do banho pode ser utilizada para limpeza da casa, rega de plantas e descarga sanitária;

– escovar dentes com meio copo ou menos;

– alimentos que serão cozidos ou comidos sem casca não precisam passar por esterilização;

– embalagens descartáveis que serão recicladas podem ser limpas com guardanapo sujo ou resto de papel;

– carros podem ser limpos com pano ou bucha úmidos e calçada só com vassoura.

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Vladimir Putin, presidente da Rússia

Cíntya Feitosa (OC)

A Rússia acompanhou os Estados Unidos e também apresentou hoje a sua proposta para o acordo do clima de Paris. A meta é reduzir de 25% a 30% as emissões em 2030 em relação aos níveis de 1990. No entanto, o documento sinaliza que esse valor é negociável, a depender das metas de grandes emissores.

A proposta é pouco ambiciosa, por se tratar de um dos cinco maiores poluidores do mundo, e o documento apresentado não dá muitos detalhes sobre como a meta será alcançada. Apenas fala genericamente em florestas, dando a entender que a maior parte da meta será cumprida apenas deixando o mato crescer e sequestrar carbono. Vale lembrar também que o colapso da União Soviética, em 1990, derrubou as emissões russas em mais de 50% – ou seja, na verdade, o país está se comprometendo a aumentar suas emissões até 2030.

Além disso, no acordo de Copenhague, em 2009, a Rússia se comprometeu a reduzir entre 15% e 25% de suas emissões até 2020 (em relação a 1990). Então, 25% a 30% não é grande esforço para o período de 2020 a 2030. A base da economia russa é justamente a indústria prejudicada pela queda de emissões: petróleo, mineração e indústria bélica.

O charme da meta de redução de emissões é a sinalização de que a proposta pode mudar, a depender das negociações no decorrer do ano e do que os demais poluidores vão apresentar como contribuição para que o aumento da temperatura global não ultrapasse os 2ºC em relação ao período pré-industrial.

Vale lembrar que é graças à Rússia que o Protocolo de Kyoto entrou em vigor – mesmo com atraso, já que só foi assinado pelos russos em 2004. Para que o tratado de Kyoto pudesse entrar em vigor, seria necessária a adesão de pelo menos 55% dos países que mais poluíam no mundo em 1990, ou o acordo não teria nenhuma eficácia.

Os Estados Unidos, responsáveis por 36% das emissões em 1990, e a Austrália, se recusaram a assinar a medida, ou seja, a Rússia teve de ratificar o tratado para salvá-la do colapso. Alguns analisaram a retomada da Rússia nas negociações como uma jogada diplomática para agradar a ONU após ser criticada veementemente por violar direitos humanos na Ucrânia. Isso mesmo, Ucrânia.

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Base argentina bate recorde de temperatura, com 17,5o C registrados nesta semana; é o maior calor já medido no continente

birdsPinguins-de-papua (Pygoscelis papua) em praia na região da Península Antártica

 

Não se fazem mais continentes gelados como antigamente: nesta semana, uma base argentina na Antártida registrou a temperatura mais alta já medida em toda a história do continente, 17,5oC. O recorde aconteceu na última terça-feira na base Esperanza, na pontinha do continente mais próxima da América do Sul. No mesmo dia, outra base argentina, Marambio, situada numa ilha próxima, registrou uma máxima de 17,4oC.

Ambas as estações ficam na Península Antártica, mesma região que também abriga a estação brasileira Comandante Ferraz. A informação foi dada pelo blog americano Weather Underground.

A Península Antártica é um dos lugares do planeta que mais aqueceram no último século: mais de 3oC desde a década de 1940, ou mais de três vezes mais do que a média mundial. Os cientistas acham que há dois culpados pelo fenômeno: o aquecimento global e o buraco na camada de ozônio, que “aprisiona” o ar frio no centro do continente e ajuda a esquentar ainda mais sua periferia. Isso tem ocasionado o colapso de plataformas de gelo e uma série de mudanças no ecossistema, como declínios locais de populações de pinguim que dependem do gelo para se alimentar.

O glaciologista brasileiro Jefferson Simões afirmou ao OC que o calor recorde não surpreende: segundo ele, fevereiro e março viraram a “estação chuvosa” de uma região onde as máximas não costumam (ou não costumavam) ultrapassar os 10oC.

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No dia 28 de março um ato simbólico que pede ações para combater as mudanças climáticas será realizado por milhões de pessoas ao redor do mundo. A Hora do Planeta é promovida pela WWF desde 2007 como um chamado para que todos apaguem as luzes durante uma hora (das 20h30 às 21h30) para demonstrar apoio à luta contra as mudanças climáticas em todo o mundo.

Esse movimento de sustentabilidade viu lugares icônicos como a Ponte Golden Gate, em São Francisco, Torre Eiffel, em Paris, Coliseu de Roma, Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, entre outros, aderirem à causa e ficarem no escuro.

Em sua 7ª edição no Brasil, a campanha 2015 está confirmada em 40 cidades brasileiras com o slogan #UseSeuPoder para reverter o aquecimento global. Não fique de fora, participe!

Confira o vídeo de divulgação da Hora do Planeta 2015!

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Flickr/Dennis Dimick

Cíntya Feitosa (OC)

Já comentamos sobre a campanha de desinvestimento em combustíveis fósseis. Temos mais uma prova de que a campanha tem muito sentido e que o assunto merece atenção: o mercado de carvão nos Estados Unidos está “quebrando”.

De acordo com especialistas do Carbon Tracker Initiative (Rastreador de Carbono, em tradução livre), pelo menos 26 produtores de carvão nos EUA foram à falência nos últimos três anos. Outros, incluindo Peabody Energy, a maior empresa de carvão privada do mundo, perderam 80% do seu valor da ação.

O crescimento da demanda da Ásia também tem sido mais lento do que o esperado. O consumo de carvão da China caiu 3% em 2014, quando o país procurou combater a poluição atmosférica cada vez mais grave em suas cidades.

A queda dos preços reduziu o valor de mercado do carvão dos EUA em 76% ao longo dos últimos cinco anos, enquanto a média industrial Dow Jones cresceu 69%.

“Sabemos há décadas dos sérios riscos de saúde e ambientais do carvão, mas agora tornou-se também um risco de investimento com as medidas sérias dos países para limpar o ar e proteger o clima”, disse Andrew Logan, diretor do programa de petróleo e gás da Ceres.

Para a Conferência do Clima de Paris, os governos concordaram em limitar o aumento da temperatura global a 2ºC acima dos níveis pré-industriais, o que exigirá cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa. Os cientistas estimam que, para atingir essa meta, é preciso reduzir mais de 80% do uso de carvão, a metade de gás e um terço das reservas de petróleo.

No entanto, as companhias de petróleo continuam a prever o aumento da demanda por seus produtos e demitir como “irrealista” a possibilidade de ação climática eficaz. As informações são do Responding to climate change.

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Se chuva mantiver média de março, paulistano ficará casado com o volume morto até dezembro

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(@ Nossa São Paulo/Creative Commons)

 

Claudio Angelo

(Observatório do Clima)

Alguém se lembra do Sistema Cantareira? E de que está faltando água em São Paulo?

Com as chuvas abundantes que caíram em fevereiro e caem em março no Centro-Sul do país, a crise hídrica deu um tempo no radar das pessoas – que já não sabiam mais que piada fazer com o próprio infortúnio. Mas um relatório publicado nesta sexta-feira pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) ajuda a ressecar a memória: mesmo com as chuvas, na última semana chegou menos água do que o previsto nos reservatórios do sistema, e a precipitação acumulada no mês até o dia 18 foi 27% menor que a média histórica.

Se o quadro se mantiver, o chamado volume morto do Cantareira só terá 60% do seu total de água recuperado até dezembro. E os paulistanos terão de ficar casados com ele – e bebendo sua água – até o fim do ano.

O Cemaden, ligado ao governo federal, monitora diariamente a situação dos reservatórios com uma rede de 30 pluviômetros. Usando um modelo de computador, seus pesquisadores convertem a chuva em vazão, ou água chegando aos rios e às represas. Toda semana o órgão divulga uma atualização do estado do sistema, uma projeção de chuvas para os próximos dias e uma verificação da previsão da semana anterior. A partir daí, estima qual será o volume armazenado nos reservatórios no final do ano, considerando vários cenários de precipitação.

O relatório desta semana mostra que a situação de São Paulo ainda é crítica: entre 10 e 17 de março, a vazão que chegou aos rios do Cantareira foi de 51,4 metros cúbicos por segundo, contra 65 metros cúbicos por segundo previstos. Choveu muito, mas muito mesmo, entre fevereiro e março, mas mesmo assim a média do período foi menor que a média histórica medida entre 1930 e 2013. E, como lembra a análise do Cemaden, “destaca-se também que, estatisticamente, a estação chuvosa na região do Cantareira acaba entre finais de março e início de abril” (grifo deles). Se as chuvas chegarem à média histórica, o volume morto se recupera em 125 dias. Se forem 25% abaixo da média, como na primeira quinzena de março, o volume morto ainda estará bem vivo nas torneiras da população em dezembro.

 

 

 

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© Greenpeace / Rodrigo Baleia

A floresta amazônica está perdendo a sua capacidade de absorver carbono da atmosfera. De acordo com estudo divulgado esta semana pela Nature, há duas décadas, a floresta teria absorvido dois bilhões de toneladas de dióxido de carbono a cada ano. Agora, a taxa de retirada caiu para cerca de metade desse total. O motivo é o crescimento da taxa de mortalidade de árvores na floresta.

A conclusão é o resultado de 30 anos de estudo de uma rede internacional de pesquisa que revelou um aumento considerável na taxa de mortes de árvores em toda a bacia amazônica. O dióxido de carbono adicional estimulou um surto de crescimento extra, acelerando o ciclo de crescimento das árvores, que morrem mais cedo.

Roel Brienen, geógrafo da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e principal autor do estudo, afirma: “As taxas de mortalidade de árvores têm aumentado em mais de um terço desde meados da década de 1980, e isso está afetando a capacidade da Amazônia de armazenar carbono.”

As emissões de combustíveis fósseis de países latino-americanos superam um bilhão de toneladas de CO2 por ano. Assim, a região está colocando mais gases de efeito estufa na atmosfera do que está retirando. A consequência é que, agora, a floresta não é mais um “ralo” de carbono que absorve uma proporção previsível de emissões de combustíveis fósseis.

Leia mais sobre a pesquisa no Climate News Network