Escrito em por & arquivado em COP.

Passamos hoje o dia atrás da “substância” do SBSTA, isso é, tentando loucamente conseguir informações do que o pessoal estava discutindo a portas fechadas. Conseguimos, com muito esforço, algumas luzes:

1 – Não vai sair daqui de Poznan uma decisão da COP sobre a questão de REDD, que era algo que seria bem mais forte do que o que ficou acordado. Vão ser apenas conclusões do grupo.

2 – Pelo menos a questão indígena vai ser abordada no documento, ainda não sabemos direito como. Uma das propostas de redação que remetia à Declaração da ONU sobre os direitos dos indigenous peoples estava encontrando oposição dos EUA (que parece que depois mudou de idéia), Nova Zelândia, Austrália, Japão e mais alguns do G77. Houve uma manifestação de alguns grupos que gritavam “no rights, no REDD”. Veremos amanhã qual foi a fórmula mágica.

3 – A questão do REDD continua pendurada na metodologia e tecnologia, onde não há consenso se já estamos com esses pontos resolvidos. Enfim, parece-me que pode ser uma estratégia pra jogar decisões pra frente porque o assunto é pra lá de complicado pelos pontos que já mencionei aqui. Ou não…Vou tentar entender isso melhor.

Enfim, minha mensagem de hoje é inspirada nas estátuas de gelo que a OXFAM colocou na porta do lugar do evento: a substância dos acordos por aqui ainda é frágil, mas espero que não o suficiente pra derreter nossas esperanças para Copenhagem.

Fernanda Carvalho (TNC)

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Hoje, em Poznan, o Professor Luis Pinguelli Rosa reuniu representantes dos fóruns estaduais de mudanças climáticas, representantes da sociedade civil e parlamentares aqui presentes. Anunciaram resultados de trabalho os fóruns de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Bahia. Os estados estão aos poucos assumindo ações concretas para mapeamento de suas emissões e construção de políticas públicas para mitigação das mesmas.

Fabio Feldmann, Secretário Executivo do Fórum Paulista, defendeu a necessidade de aprovação de uma Política Nacional de Mudanças Climáticas pelo Congresso Nacional. Elogiou a liderança do Deputado Mendes Tame nesse sentido. Destacou ainda a necessidade de se organizar a ação dos atores no Brasil que acompanham a temática do clima para construir organograma e plano para se chegar em Copenhaguem com proposta relevante para as discussões internacionais e para ação no país.

O Deputado Mendes Tame, presente na mesma reunião, defendeu a ação imediata do país na aprovação de Lei. Destacou que a crise financeira pode ser uma grande oportunidade para ação imediata. Demonstrou a urgência do problema e a necessidade de ação. Já o Deputado Arnaldo Madeira destacou a importância de ação no Brasil, como o foi o Rodízio de Veículos em São Paulo. Elogiou a iniciativa de Minas Gerais de gerar informação de qualidade para fomentar a tomada de decisão. Ressaltou a importância de parcerias entre governos sub-nacionais dentro e fora do país. Para ele, esse tema não pode ficar só na mão dos ambientalistas. Deve ser assumido por todos os setores.

O Professor Pinguelli mencionou a questão da pobreza como fundamental para ser considerada nos planos de ação do clima e provocou o debate sobre metas setoriais. O Secretário José Carvalho, de Minas Gerais, apresentou detalhes do inventário de emissões de GEE de Minas Gerais e mencionou os próximos passos na gestão das emissões daquele governo.

O Professor Pinguelli abriu a palavra para debates e aproveitei para falar da iniciativa do Observatório do Clima, de construção de contribuições para o processo legislativo e aprovação pelo Congresso de uma Politica Nacional de Mudanças Climáticas. É preciso que o Congresso vote logo esta lei !

Rachel Biderman, 09 de dezembro, 2008

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Não se trata mais de ficção científica. O ´day after tomorrow´ foi discutido com muita seriedade num side event hoje do UNHCR ? United Nations High Commissioner for Refugees. O Sr. Craig Johnstone, Vice-Presidente do comissariado, explicou que apesar do mandato da UNHCR não incluir Mudança do Clima, os eventos climáticos extremos e os impactos sobre a migração humana tornaram-se tema obrigatório de sua agenda. Alertou os tomadores de decisão para o fato de que a migração dos refugiados não é mais problema futurista, mas uma questão humanitária cada vez mais urgente para a ONU. Essa organização especializada da ONU sobrepôs os mapas de vulnerabilidades aos de eventos climáticas extremos, e o que encontraram não foi mera coincidência. Já acreditam que tragédias como de Darfur, por exemplo, não são simplesmente decorrentes de fatores sócio-economicos, historicos e culturais. São também fruto da vulnerabilidade daquele povo aos impactos das mudanças climáticas globais. A UNHCR não apresenta números oficiais, pois os estudos nesse tema ainda são imprecisos, porém reconhece que deve ser algo em torno de 250 milhões a um bilhão de pessoas, o número de refugiados climáticos esperados até 2050. Se hoje, com um número muito menor de refugiados, as Nações Unidas não dão conta de atender às necessidades mais básicas dessas vítimas, imaginem como será quando o problema ganhar a dimensão esperada com o aumento da intensidade e frequência de eventos climáticos extremos?

Rachel Biderman, GVces, 8 dez 08, Poznan, Polska

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O reconhecimento da importância do pagamento pelos serviços ambientais para conservação da Amazônia, geração de renda e equilíbrio climático global é a resposta da charada.

Foto da coletiva de imprensa hoje em Poznan, em que Bianca e Virgilio apresentaram os ganhos para o meio ambiente, a sociedade e o povo do Amazonas decorrentes do Projeto da Fundação Amazonas Sustentável.

coletiva imprensa Poznan

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Independente de concordarmos ou não com as opiniões defendidas pelo Governo Brasileiro, tiro meu chapéu – nesta fria Polônia, para a equipe de negociadores. Trabalham incessantemente, debatendo horas e horas sobre um parágrafo que, certamente, influenciará o desenho final do acordo em Copenhagem. Vale lembrar que são vários interesses – metodologia, acordos subnacionais, questão indígena e etc, com vários países defendendo seus interesses. Ou seja, não é um debate fácil…

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O Mapa de Bali mostrou o rumo, mas qual o melhor caminho? Estas discussões seguem aqui em Poznan e ontem, numa palestra com o representante da ONU para Mudanças Climáticas e ex-presidente do Chile, Ricardo Lagos, fizemos a pergunta colocada pelo Prof. José Eli na semana passada: por que não resolver a questão climática no G-20?

Ricardo Lagos concordou que o G 20 poderá se tornar num poderoso forum de debate e definição de políticas para mudanças climáticas. Afinal, estão presentes ali os países mais ricos, os que mais poluíram e os que mais poluem atualmente. Mas, ele frisou, não crê que este possa ser o único caminho. Acredita que a questão climática é tão ampla e extensa que somente poderá avançar utilizando-se de vários fóruns, dentre os quais este aqui e o próprio G20.

Alexandre Prado (Conservação Internacional)