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Um festival de notícias essa semana mostrou que os formuladores de políticas no Brasil ainda têm muito a avançar para a implementação da sustentabilidade no campo energético.

A primeira e mais triste delas diz respeito ao atropelamento da ciclista Márcia Regina de Andrade, tema do post acima. Não sem aviso prévio – Márcia era signatária do Manifesto dos Invisíveis, que cobra o reconhecimento e o respeito da cidade aos ciclistas, e condições apropriadas para o ir e vir de quem usa bicileta.

Vale analisar o incidente também do ponto de vista da política pública. Em tempos de mudanças climáticas, o pedido de Márcia e de milhares de ciclistas já devia ter sido atendido há algum tempo, já que se trata de um transporte que não utiliza combustível algum, não polui e ocupa pouco espaço, ajudando a desafogar os engarrafamentos venenosos de São Paulo. Mas inovações na cidade caminham a passos lentos. Estímulos a políticas atrasadas, como uso do automóvel individual, por exemplo, permanecem em destaque. É o caso do recente socorro dos governos estadual de São Paulo e federal à indústria automobilística, sem uma única condicionante de melhoria da eficiência energética e de emissões dos veículos. O que é pior, sem análise de investimento em áreas alternativas para geração de empregos em detrimento das possíveis demissões pelas montadoras.

A mesma falta de visão se revela no recém-anunciado Plano Decenal de Energia, que deu enfoque às termelétricas e pouco destacou a matriz eólica – limpa – como alternativa à geração de energia no Brasil. E finalmente destaca-se a defesa da fabricação da bomba atômica brasileira, pelo Ministro Mangabeira Unger. Mais um capítulo da opção do Brasil pela utilização do urânio. Outro recente é que às vésperas da finalização de Angra 3, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas disputam a instalação de novas usinas em seus territórios.

Tudo isso enquanto o sol continua a brilhar, os ventos a soprar e a energia limpa que poderíamos tirar daí … é relegada a um papel coadjuvante. Uma ponta, pra ser mais exato.

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Desde os anos 90 tem sido recorrente ler na grande imprensa brasileira reportagens sobre o exemplo da Coréia do Sul para o Brasil, que investiu em educação e tecnologia e se transformou numa economia de destaque.

Agora, com a crise financeira, o país anunciou um plano para investir US$ 38 bilhões em projetos ambientais, como conservação de energia, redução de carbono e construção de depósitos de água. A mídia internacional o está chamando de “New Deal Verde”. Isso porque o país foi pego em cheio pela crise. Em dezembro de 2008, as exportações da quarta economia asiática cairam 17,4%, em relação ao mesmo período em 2007. Em novembro, já havia caído outros 18,3%.

Com o plano anunciado em 7/1, a Coréia do Sul pretende superar o baixo crescimento econômico e criar 1 milhão de empregos em quatro anos. Tudo a partir da estruturação de uma economia sustentável.

O exemplo ainda não chamou atenção da imprensa, mas talvez seja novamente uma demonstração de reposicionamento estratégico daquele país – iniciativa que cairia muito bem aqui no Brasil.

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Após causar certo frisson no ano passado, ao anunciar metas para redução de desmatamento dentro de seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, apresentado durante a Conferência de Poznan, o governo brasileiro inicia o ano mostrando que discurso e prática ainda estão separados quando o assunto é clima e meio ambiente.

Jornais como o Valor anunciaram esta semana o Plano Decenal de Energia do governo até 2017 que reforça o papel das usinas termelétricas e amplia a pegada carbônica do Brasil. As emissões de CO2 podem triplicar, caso o uso das térmicas se confirme. Isso significa que o esforço brasileiro para a redução de desmatamento – hoje a fonte de 75% das emissões brasileiras, aproximadamente – pode não ter o impacto positivo esperado.

Se as metas não passarem de intenções no papel, prática recorrente quando o assunto é meio ambiente, teremos um cenário bastante negativo de emissões de gases do efeito estufa no Brasil. Uma alternativa para o governo seria prestar mais atenção a outros estudos produzidos na própria esfera governamental, como o recém-lançado O aproveitamento da energia eólica, do INPE.

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José Goldemberg, Carlos Nobre e Fabio Feldmann participaram no fim de semana de um debate na Globo News sobre as perspectivas políticas para as mudanças climáticas em 2009. Unanimidade entre os participantes foi considerar positivas algumas iniciativas recentes de governos nacionais. Uma delas, as metas brasileiras para redução de desmatamento, que responde por 75% das emissões brasileiras e, segundo uma conta rápida de Carlos Nobre, podem significar uma redução em 30% dessas emissões em relação aos níveis de 1990. Claro, uma vez que as metas sejam cumpridas.

As outras duas iniciativas destacadas foram as metas de redução do Reino Unido em 80% para 2050 e as recentes indicações de especialistas sensíveis à crise climática para a composição de cargos importantes relacionados à ciência, tecnologia e energia no governo de Barack Obama.

Unanimidade entres os debatedores foi também a idéia de que boas intenções existem em todo o lugar e que não há tempo para os governos se apoiarem em discursos. No caso do Brasil, o obstáculo maior identificado foi o enfrentamento entre preservação florestal e pressão do agronegócio. No caso dos EUA, a posição real que adotará Barack Obama e a postura do Congresso. Em ambos os casos, assim como para o Reino Unido, as incertezas vêm temperadas de crise econômica global.

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No penúltimo dia das mornas negociações, chega Al Gore para injetar energia e esperança no processo em Poznan. Seu entusiasmo trouxe novo gás para todos aqui presentes. Na madrugada de hoje ainda são esperadas novas decisões.

Em seu inflamado discurso, repetiu os argumentos conhecidos de sua cruzada mundial em prol da salvação da espécie humana. Estressou não ser possível negociar com os fatos, nem com suas consequências. Chamou atenção para o alerta dos cientistas sobre os ?tipping points? , a partir dos quais danos gravíssimos serão incontroláveis.

Citou dados de cientistas da FAO,que estudam o mar mediterrâneo, cuja vida está ameaçada, dado o excesso de salinidade. Lembrou os eventos extremos, causados pelo aquecimento das águas do mar, como tempestades que têm atingido a Africa e até o sul do Brasil. Lembrou o recorde de enchentes registrado no México, ano passado.

Agradeceu sinceramente e elogiou muito os esforços de negociadores, cientistas, militantes, formuladores de políticas públicas, enfim, de todos os atores ali presentes ? milhares de pessoas apinhadas numa sala gigantesca do centro de conferência de Poznan. Reiterou esse agradecimento e elogio, indicando profundo respeito pelo trabalho daqueles milhares de profissionais que se ´retiraram´ em Poznan, para encontrar caminhos e mostrar soluções.

Apesar dos elogios, salientou que estamos nos aproximando muito rapidamente de um ponto sem retorno e que as soluções estão muito lentas. Deu clara indicação de descontentamento com os rumos das negociações na COP 14, de Poznan. Afirmou que não há indicação de se caminhar na boa direção aqui. Considerou inadmissível que se use a crise financeira global como desculpa para lentidão na tomada de ação dentro do regime climático global.

Apesar dessa constação, afirmou continuar otimista, porque alguns paises começam a dar bons sinais. Citou o lançamento do plano nacional de mudanças climáticas do Brasil, que irá combater o desmatamento na Amazonia. Elogiou a China, que anunciou investimento de 600 bilhoes de dólares em energias renováveis nas próximas duas decadas. Destacou ação dos governos locais dos EUA,onde 884 cidades já adotaram planos de combate ao aquecimento global. Celebrou decisão da Suprema Corte dos EUA que obrigou a EPA Norte-americana a estabelecer limites de emissão de CO2. Afirmou que a crise é a oportunidade de se construir o novo `New Deal´,cuja marca será verde (Green New Deal).

Mencionou sua visita recente a Obama, cuja priorização das mudanças climáticas em sua gestão foi garantida. Obama disse não haver mais espaço para se negar o fenomeno das mudanças climáticas, que é da máxima urgência, e deve ser tratada com responsabilidade e prioridade.

Citou Gandhi, afirmando que a maior força na política global, é a força da verdade. E que a maior força desse movimento, é que sabemos da força dessa verdade que são as mudanças climáticas. Encerrou dizendo que ?sim, é possível´.

Postado por Rachel Biderman

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Só mesmo pra esclarecer um detalhe: nosso querido Ministro Figueiredo passa agora a ser o vice-chair do AWG LCA. É tradição desses grupos ad-hoc o rodízio das posições anualmente. A chairmanship (presidência) é agora do Mr. Michael Zammit Cutajar, de Malta, que estava como vice-chair do Figueiredo. Ainda assim, o papel desse nosso brilhante diplomata é fundamentalmente importante, pois o texto vai ser escrito a quatro mãos das quais duas são dele. Estamos apostando tanto nele quanto nesse trabalho tão importante para o mundo.

Fernanda Carvalho (TNC)

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Europeus promovem democracia eletrônica no tema climático.

A rede de ONGs que acompanha o tema do clima na europa, a CAN ? Climate Action Network, criou mecanismo de acesso à informação e debate sobre políticas e normas em votação no Parlamento Europeu. Criaram uma rede de moderadores virtuais, que facilitam os debates, coletando questões, e providenciando respostas.

Os miliantes da democcracia virtual atuaram por toda europa colhendo informações dos membros dos parlamentos. Pelos sistema virtual, os cidadãos podem cobrar parlamentares e buscar respostas sobre o andamento das votações de seus interesses. O regime climático europeu está sendo debatido e sua evolução acompanhada por esse mecanismo virtual.

Mais no link – www.ourclimate.eu

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Abraçadores de árvores (tree huggers) como são chamados os ambientalistas representados em Poznan por uma estátua esperançosa …

Enquanto lá dentro …

Novas gerações do Greenpeace fazem doce protesto

Joana (Polonia) e Diane (China), Voluntarias jovens do Greenpeace

Os jovens do projeto Solar Generation do Greenpeace estão fazendo um doce protesto, oferecendo aos ministros de estado aqui presentes a oportunidade de enfeitarem sua árvore de natal com biscoitos de pão de mel e gengibre com as bandeiras de seus respectivos países. Com isso, os jovens pedem o compromisso dos chefes de delegação com um futuro movido a energia renovável.