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Uma boa notícia no mar de pessimismo quanto ao fechamento de um acordo climático global em Copenhague foi a apresentação na reunião de Bangcoc de várias propostas de redução na curva de crescimento das emissões de países em desenvolvimento. O governo brasileiro prefere chamar o mecanismo pela refinada expressão “desvio significativo na trajetória das emissões”. Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), pelo menos cinco países em desenvolvimento anunciaram metas de desaceleração no aumento das emissões em relação ao cenário esperado para 2020. É o chamado cenário BAU, do inglês “business as usual”.

A proposta que o MMA defende para o desvio das emissões do Brasil, de 40%, seria a mais ambiciosa, caso tivesse sido apresentada no encontro de Bangcoc. Outro emergente, a China, que disputa com os Estados Unidos o título de campeão mundial de emissões, também não abriu o jogo na Tailândia sobre sua opção para diminuir o peso do carbono em sua economia. A grande surpresa foi a Indonésia, que resistiu por muito tempo a se comprometer com metas. À espera de ajuda financeira para combater o desmatamento desenfreado de sua floresta tropical, a Indonésia propõe uma diminuição de 26% na trajetória de suas emissões até 2020.

Outro país asiático, a Coréia do Sul, que vem se destacando por significativos investimentos em tecnologias limpas, fez uma proposta com piso de 21% e teto de 30%. Ensaiando uma mudança em sua tradicional rejeição a qualquer compromisso com corte nas emissões, a Índia falou em reduzir em 3% sua curva de crescimento das emissões. A África do Sul, que enfrenta o desafio de transformar uma matriz energética baseada em carvão e petróleo, propôs baixar em 9% a 12% suas emissões face à projeção do BAU para 2020. Equilibrando-se entre os países desenvolvidos e o G-77, do qual saiu para entrar na OCDE, o México informou que irá desacelerar em 20% a taxa de crescimento em suas emissões de carbono.

Boas propostas são sempre bem-vindas numa negociação tão complexa e travada como a do clima. A expectativa agora volta-se para as propostas que Brasil e China apresentarão em Barcelona, onde ocorre a última rodada de negociações pré-COP-15 entre 2 e 6 de novembro. Quem sabe a brisa do mar que banha a capital da Catalunha não areje os cérebros dos negociadores e novas propostas de redução nas emissões pipoquem também entre os países ricos. A Noruega (meta de 40%) e o Japão (25%) seguiram o exemplo do Reino Unido, que se comprometeu em diminuir em no mínimo 34% suas emissões em 2020 ante os níveis de 1990. Logo após o final da reunião de Bangcoc em 9 de outubro, a Finlândia anunciou a meta de reduzir suas emissões em 80% até 2050 na comparação com 1990. É sempre imperioso recordar que o IPCC recomenda queda de 25% a 40% nas emissões dos países do Anexo 1 da Convenção do Clima para que haja uma razoável dose de esperança de que a temperatura do planeta não subirá além dos 2º Celsius neste século.

José Alberto Gonçalves, colaborador do OC e da Página 22

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