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Se a conversa aqui em Bonn não teve nenhum resultado palpável no que diz respeito a compromissos quantificados de Anexo I e não-Anexo I, pelo menos um encaminhamento interessante há muito esperado pelo mundo.org internacional aconteceu: a discussão sobre REDD finalmente chegou ao AWG LCA, o grupo de discussão mais político pro acordo pós-2012. Antes era uma discussão confinada ao SBSTA, o órgão de assessoramento técnico e científico da Convenção. Convenhamos: o REDD tem lá suas questões técnicas e metodológicas, mas o quente da discussão é pra lá de político. Vai ser mercado? Fundo? Abordagem mista ligada ao mercado? Quem pode fazer? Quem paga? Como paga? E os povos da floresta? E os países com baixas taxas de desmatamento, entram? Não entram? Nacional? Subnacional? E a biodiversidade? Como medir, reportar, verificar? Pode gerar créditos pros países do Anexo I ou é compromisso nacional dos países não-Anexo I?

Enfim, por todas essas questões, e após ouvir de todos os países na uma hora dedicada ao REDD no contact group de mitigação que era necessário mais tempo de discussão, o Chair Michel Zammit Cutajar, de Malta, finalmente concluiu que o REDD é especial. Ele passou essa mesma uma hora tentando defender que nenhuma medida de mitigação era mais especial que outra, que o pacote deveria ser discutido como um todo e que não havia, por exemplo, um grupo especial pra tratar de usinas. Imagina só se todas as questões sobre o REDD que foram levantadas acima pudessem ser respondidas em uma hora….Enfim, o resultado é que vamos ter mais discussão política sobre isso em Bonn 2 (nova rodada de discussões em junho), o que dá uma esperança de que esse mecanismo tão importante pro Brasil e outros países tropicais venha a ser de alguma forma contemplado no arranjo de Copenhagen. Digo ?arranjo? porque entre as diversas indefinições no ar há uma sobre a forma legal do novo acordo. Existe a possibilidade de que só tenhamos emendas aos acordos já existentes e não propriamente um novo instrumento.

Vale também destacar que houve discussão sobre REDD no contact group de transferência de tecnologia e finanças. Quem conduziu essa discussão foi o nosso Ministro Figueiredo, que agora está como Vice-Chair, e deu um exemplo da típica simpatia brasileira ao deixar todas as partes inscritas falarem apesar de já ter passado a hora para o fim da sessão. Quando o Chair é europeu, a sessão acaba na hora prevista e pronto, seja lá quem esteja inscrito pra falar: tolerância zero. Pelo menos nesse ponto da cortesia a atuação do Brasil foi digna de elogio.

Fernanda Carvalho – TNC

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