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Aqui em Bonn a discussão é mais ou menos o seguinte:

1 ? Países desenvolvidos defendendo loucamente uma redução de emissões de GEE de 25 a 40% pra eles e de 15 a 30% abaixo do business-as-usual para os países em desenvolvimento. Aqui isso ficou conhecido como IPCC box, já que saiu de um quadro do relatório 4 do IPCC elaborado por dois cientistas.

2 ? Países em desenvolvimento defendendo NAMAs (Nationally appropriate mitigation actions), a serem registrados num cadastro internacional para poderem ser medidos, reportados e verificados (MRV). Tem ganhado influência uma proposta da Coréia do Sul que divide esses NAMAs em três categorias: uma voluntária, na qual o MRV seria mais light com base em critérios internacionais; outra na qual haveria o apoio financeiro dos países desenvolvidos, com MRV acordado entre ambas as partes desenvolvida e em desenvolvimento; e uma terceira categoria de ações que poderiam gerar créditos de carbono e entrar no mercado, aí o MRV seguiria os critérios do mecanismo de desenvolvimento limpo.

(Parêntesis – Às vezes penso se estou conseguindo me fazer entender ou se estou falando grego. É uma discussão complicada, dura e específica, temperada por uma cacetada de siglas que confundem ainda mais.)

3 – Minha visão sobre isso: os NAMAs são uma fórmula bem interessante e sofisticada, pois ficam entre a famosa ?soft law? e a ?hard law? ? traduzindo, do que é voluntário para o que é obrigação. No meio do caminho, assim como a pedra do Drummond, estão os NAMAs. Há uma grande abertura nisso pois cada país registraria o que quisesse, e na categoria que quisesse. O famoso REDD, por exemplo, poderia tanto ser uma ação a ser executada por um país em desenvolvimento com apoio de um desenvolvido ou uma ação a gerar créditos para mercado, o país é que escolhe. Acho que é uma solução bacana por ora, tendo em mente os números do IPCC de 15 a 30% de redução abaixo do BAU.

4 – O problema é a famosa história da discussão internacional : o mundo desenvolvido querendo dividir a bola com o mundo em desenvolvimento, que é bom de futebol e devolve a bola pra eles. E nisso ninguém marca o gol, que seria o ?long-term goal? onde queremos chegar….

5 – Como diria Manu Chao, “enquanto o mundo continua parolando, a água e os termômetros vão subindo”.

Fernanda Carvalho – TNC

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