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A Embrapa Monitoramento por Satélite divulga hoje estudo que mapeia e quantifica o alcance territorial da legislação ambiental e indigenista no Brasil. O resultado: em termos legais, apenas 7% do bioma Amazônia e 33% do país seriam passíveis de ocupação econômica urbana, industrial e agrícola, de acordo com a pesquisa.

Em texto do site da Embrapa, a questão ambiental é classificada pelo chefe-geral do instituto, Evaristo de Miranda, como problema que irá se agravar e barreira à expansão da agricultura e do crescimento econômico como um todo. Miranda só não mencionou que o assoreamento dos rios, o empobrecimento do solo, a interferência no clima e outros tantos impactos ambientais causados pela expansão da agricultura e pecuária insustentáveis praticadas no Brasil também são barreiras ao futuro da economia.

Também não menciona que outras atividades econômicas podem ser desenvolvidas nas áreas de floresta – extrativismo, turismo, bioprospecção, manejo sustentável – que não demandam a devastação e nem resultam em desequilíbrio ambiental.

Restringir as atividades de alto impacto para as florestas e estimular as que permitem o equilíbrio dos ecossistemas e perpetuação dos recursos naturais é um caminho mais sustentável, que pode ser estimulado, por exemplo, pelo zoneamento ecológico econômico, conforme vem sendo defendido por Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), em diversos veículos de imprensa. (leia em Jornal da Ciência)

Vale lembrar que a própria Embrapa desenvolve um programa de ZEE. Para quem não conhece o ZEE, sugiro a explicação da jornalista ambiental Heloísa Ribeiro em Como tudo funciona.

Veríssimo acredita que a área calculada pela Embrapa está subestimada e lembra que as atividades econômicas podem ser desenvolvidas no espaço que já foi desmatado, algo como 18% da floresta ou 18 vezes os estados de Alagoas e Sergipe juntos.

É preciso, porém, visão, vontade política e investimento.

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