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Um festival de notícias essa semana mostrou que os formuladores de políticas no Brasil ainda têm muito a avançar para a implementação da sustentabilidade no campo energético.

A primeira e mais triste delas diz respeito ao atropelamento da ciclista Márcia Regina de Andrade, tema do post acima. Não sem aviso prévio – Márcia era signatária do Manifesto dos Invisíveis, que cobra o reconhecimento e o respeito da cidade aos ciclistas, e condições apropriadas para o ir e vir de quem usa bicileta.

Vale analisar o incidente também do ponto de vista da política pública. Em tempos de mudanças climáticas, o pedido de Márcia e de milhares de ciclistas já devia ter sido atendido há algum tempo, já que se trata de um transporte que não utiliza combustível algum, não polui e ocupa pouco espaço, ajudando a desafogar os engarrafamentos venenosos de São Paulo. Mas inovações na cidade caminham a passos lentos. Estímulos a políticas atrasadas, como uso do automóvel individual, por exemplo, permanecem em destaque. É o caso do recente socorro dos governos estadual de São Paulo e federal à indústria automobilística, sem uma única condicionante de melhoria da eficiência energética e de emissões dos veículos. O que é pior, sem análise de investimento em áreas alternativas para geração de empregos em detrimento das possíveis demissões pelas montadoras.

A mesma falta de visão se revela no recém-anunciado Plano Decenal de Energia, que deu enfoque às termelétricas e pouco destacou a matriz eólica – limpa – como alternativa à geração de energia no Brasil. E finalmente destaca-se a defesa da fabricação da bomba atômica brasileira, pelo Ministro Mangabeira Unger. Mais um capítulo da opção do Brasil pela utilização do urânio. Outro recente é que às vésperas da finalização de Angra 3, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas disputam a instalação de novas usinas em seus territórios.

Tudo isso enquanto o sol continua a brilhar, os ventos a soprar e a energia limpa que poderíamos tirar daí … é relegada a um papel coadjuvante. Uma ponta, pra ser mais exato.

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