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No penúltimo dia das mornas negociações, chega Al Gore para injetar energia e esperança no processo em Poznan. Seu entusiasmo trouxe novo gás para todos aqui presentes. Na madrugada de hoje ainda são esperadas novas decisões.

Em seu inflamado discurso, repetiu os argumentos conhecidos de sua cruzada mundial em prol da salvação da espécie humana. Estressou não ser possível negociar com os fatos, nem com suas consequências. Chamou atenção para o alerta dos cientistas sobre os ?tipping points? , a partir dos quais danos gravíssimos serão incontroláveis.

Citou dados de cientistas da FAO,que estudam o mar mediterrâneo, cuja vida está ameaçada, dado o excesso de salinidade. Lembrou os eventos extremos, causados pelo aquecimento das águas do mar, como tempestades que têm atingido a Africa e até o sul do Brasil. Lembrou o recorde de enchentes registrado no México, ano passado.

Agradeceu sinceramente e elogiou muito os esforços de negociadores, cientistas, militantes, formuladores de políticas públicas, enfim, de todos os atores ali presentes ? milhares de pessoas apinhadas numa sala gigantesca do centro de conferência de Poznan. Reiterou esse agradecimento e elogio, indicando profundo respeito pelo trabalho daqueles milhares de profissionais que se ´retiraram´ em Poznan, para encontrar caminhos e mostrar soluções.

Apesar dos elogios, salientou que estamos nos aproximando muito rapidamente de um ponto sem retorno e que as soluções estão muito lentas. Deu clara indicação de descontentamento com os rumos das negociações na COP 14, de Poznan. Afirmou que não há indicação de se caminhar na boa direção aqui. Considerou inadmissível que se use a crise financeira global como desculpa para lentidão na tomada de ação dentro do regime climático global.

Apesar dessa constação, afirmou continuar otimista, porque alguns paises começam a dar bons sinais. Citou o lançamento do plano nacional de mudanças climáticas do Brasil, que irá combater o desmatamento na Amazonia. Elogiou a China, que anunciou investimento de 600 bilhoes de dólares em energias renováveis nas próximas duas decadas. Destacou ação dos governos locais dos EUA,onde 884 cidades já adotaram planos de combate ao aquecimento global. Celebrou decisão da Suprema Corte dos EUA que obrigou a EPA Norte-americana a estabelecer limites de emissão de CO2. Afirmou que a crise é a oportunidade de se construir o novo `New Deal´,cuja marca será verde (Green New Deal).

Mencionou sua visita recente a Obama, cuja priorização das mudanças climáticas em sua gestão foi garantida. Obama disse não haver mais espaço para se negar o fenomeno das mudanças climáticas, que é da máxima urgência, e deve ser tratada com responsabilidade e prioridade.

Citou Gandhi, afirmando que a maior força na política global, é a força da verdade. E que a maior força desse movimento, é que sabemos da força dessa verdade que são as mudanças climáticas. Encerrou dizendo que ?sim, é possível´.

Postado por Rachel Biderman

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