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Verão quente prejudica safra de lúpulo na Europa e nos EUA e deve encarecer a bebida, diz jornal

Selection of beers in glasses              (Foto: Koji Hanabuchi/Corbis)

 

 CÍNTYA FEITOSA (OC)

Agora a mudança climática já foi longe demais, dirão os apreciadores de uma boa cerveja. A produção de lúpulo na Europa e nos Estados Unidos em 2015 está comprometida por conta das altas temperaturas registradas neste ano. O cereal é uma das matérias-primas da cerveja, em especial das artesanais – ele dá à bebida diferentes sabores e aromas, além de contribuir para a conservação.

No Vale do Yakima, região produtora no Estado de Washington, nos EUA, as temperaturas chegaram a cerca de 38ºC durante o mês passado. “O calor está fazendo com que as plantas murchem”, disse ao jornal Financial Times Paul Corbett, diretor-gerente da Charles Faram, comerciante internacional de lúpulo com sede no Reino Unido. A produção também é afetada por mudanças nos períodos chuvosos.

As temperaturas também foram altas em regiões produtoras na Europa, como Alemanha e Eslovênia, e a produção vai cair. “Todas as plantas dependem da água e temperatura para se desenvolver. As mudanças climáticas têm afetado a agricultura de diversas maneiras, desde a quebra de produção de grandes commodities até produtos como o lúpulo”, diz Osvaldo Stella, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). “É mais um exemplo de como a mudança climática vai permeando nossa sociedade e nos afetando de diversas maneiras.”

O setor cervejeiro teve, pela primeira vez em duas décadas, uma retração. Mas a queda nas vendas não foi percebida entre as cervejas artesanais, que movimentam cerca de US$ 20 bilhões por ano e deram ânimo ao mercado.

Com o crescimento do mercado em países emergentes, os produtores dos EUA expandiram as plantações de lúpulo, afirma o FT. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, a área de cultivo no Noroeste do país cresceu 16% desde 2014. A área do chamado lúpulo de aroma aumentou 26%. Na produção mais jovem, os efeitos do calor podem ser ainda mais graves.

De acordo com Bob Fonseca, colunista da revista Menu e especialista em cervejas, uma queda no mercado norte-americano de lúpulo pode representar também um risco ao que se tornou o cartão de visita da produção de cervejas nos EUA. “Tudo que se convenciona chamar de escola americana de cerveja está relacionado ao lúpulo.”

Fonseca ressalta que a queda da produção em um momento que o número de cervejarias cresce deve levar ao aumento nos preços e, por consequência, gerar pressão sobre os pequenos produtores. “Pode até haver uma pressão nas produções de lúpulo na Oceania, um mercado produtor ascendente.”

Vale lembrar que este ano caminha para ser o mais quente já registrado. O primeiro semestre de 2015 teve temperatura 0,85ºC acima da média e foi o mais quente desde 1880.

E não pense que o problema está longe demais daqui: a alta dos preços que fatalmente sobrevirá à quebra de safra tem tudo para chegar ao bar mais próximo de você. O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, e importa grande parte da matéria-prima utilizada na bebida de países como Alemanha e Estados Unidos. Em especial o lúpulo, planta de climas temperados, que depende de invernos longos e verões chuvosos e com temperaturas amenas.

Ouça também o boletim Ciência e Meio Ambiente, com Osvaldo Stella, na rádio CBN:  Mudanças climáticas afetam a agricultura de diversas maneiras

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