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O chanceler da França, Laurent Fabius, na abertura da conferência de Bonn (Foto: UNFCCC)

 

ALEXANDRE PRADO (INSTITUTO ARAPYAÚ)

Depois de alguns anos ausente deste processo insano, cansativo, mas impressionante de negociação em mudanças climáticas, cuja questão de fundo não é nada mais, nada menos do que como será o mundo de nossos filhos e netos – pelo menos para os que têm mais de 40 anos, como eu -, e de como chegaremos até lá, cheguei a Bonn, Alemanha, para acompanhar a nova rodada de discussões sobre o texto do acordo que deverá ser fechado em Paris, no fim do ano.

Fiquei agradavelmente surpreso com a apresentação do ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius. O anfitrião da COP-21, a conferência de Paris, falou na abertura da reunião de Bonn e foi incisivo na urgência: indicou a importância da participação do setor privado e da importância na definição de um preço sobre carbono (finalmente!), e claramente afirmou de que todos esperam uma forte sinalização política na COP-21.

A posição de Fabius nos meses que antecedem o novo acordo contrasta com a da ministra de Clima e Energia da Dinamarca, Connie Hedegaard, nos meses que antecederam a frustrante COP-15, em Copenhague, em 2009. O francês aparentemente aprendeu com a experiência da Dinamarca e adotou uma postura antecipatória. Percebeu que, se não trabalhar desde agora, o acordo não sai e teremos um fracasso em Paris. Hedegaard começou realmente a se preocupar somente no início da COP-15, quando viu que o texto estava grande, insosso e cheio de armadilhas.

Bom, obviamente o fantasma de Copenhague circula pelos corredores alemães, principalmente nas salas fechadas de negociação. Para aqueles que estavam aqui há cinco anos atrás, agora um pouco mais velhos e com mais cabelos brancos (quem ainda os tem), mas que viveram por aquele processo maçante que culminou numa enorme frustação, creio que houve um enorme aprendizado.

Talvez estejamos aprendendo que estamos aqui debatendo formas de desenvolvimento, como rumamos para uma economia de baixo carbono e de recursos financeiros precisamos para isso, mas temos de chegar a um consenso. Isso implica em identificar claramente as diferenças e como podemos resolvê-las, mas sem nos atermos demais aos detalhes, que foi onde nos perdemos em 2009. Acho que se for assim, foi um duro mas necessário aprendizado.

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