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Cíntya Feitosa (OC)

Em meio à maior seca da história da Califórnia, o governador do estado norte-americano, Edmund G. Brown Jr., emitiu um decreto para estabelecer uma meta de redução de gases de efeito estufa da Califórnia de 40% em relação aos níveis de 1990. A meta deve ser atingida até 2030. O período é o mesmo considerado para as negociações do acordo do clima de Paris, que será firmado na Convenção do Clima (COP 21) em dezembro deste ano.

“Com esta meta, a Califórnia define um grande desafio para si e para outros estados e nações, mas é uma decisão que deve ser alcançada – para esta geração e as gerações vindouras”, disse o governador. Brown tem demonstrado preocupação com as mudanças climáticas e vê na crise da Califórnia uma prova de que não se pode brincar com os efeitos das atividades humanas no clima.

De acordo com o comunicado do governo, a meta de reduzir as emissões da Califórnia a 40% abaixo dos níveis de 1990 até 2030 fará com que seja possível alcançar o objetivo final de redução das emissões de 80% até 2050 – também em relação a 1990. Isto está de acordo com os níveis estabelecidos cientificamente como necessários para limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC em relação ao período pré-industrial – porém não depende só da Califórnia, mas de uma meta dos Estados Unidos.

A meta californiana foi bem recebida pela UNFCCC (sigla em inglês para Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas): “Resolver as alterações climáticas exige uma profunda descarbonização da economia global na segunda metade do século. O anúncio de Califórnia é uma realização e uma determinação que vai ressoar com outras ações inspiradoras nos Estados Unidos e ao redor do globo. É mais uma razão para otimismo antes da conferência climática da ONU em Paris em dezembro”, afirmou a secretária-executiva da UNFCCC, Christiana Figueres.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, destacou a seca como um indutor da proposta californiana: “Quatro anos consecutivos de seca excepcional trouxeram a dura realidade do aumento das temperaturas globais para as comunidades e as empresas da Califórnia. Isso não pode substituir metas nacionais agressivas, mas é um exemplo de liderança climática que outros devem seguir.”

O decreto também aborda especificamente a necessidade de adaptação às alterações climáticas, apontando para a necessidade de incorporar impactos das mudanças climáticas no planejamento de infraestrutura e economia do estado.

A decisão da Califórnia é uma boa oportunidade para os estados brasileiros iniciarem um debate sobre sua contribuição para a redução de emissões, de forma independente da meta nacional. Até porque a seca já chegou por aqui, também…

 

california

Montagem compara a região da Ponte Enterprise, que cruza o Lago Oroville, na Califórnia. A primeira foto é de 20 de julho de 2011. A segunda, de 19 de agosto de 2014. (Foto: Justin Sullivan/Getty Images North America/AFP)

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