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Vladimir Putin, presidente da Rússia

Cíntya Feitosa (OC)

A Rússia acompanhou os Estados Unidos e também apresentou hoje a sua proposta para o acordo do clima de Paris. A meta é reduzir de 25% a 30% as emissões em 2030 em relação aos níveis de 1990. No entanto, o documento sinaliza que esse valor é negociável, a depender das metas de grandes emissores.

A proposta é pouco ambiciosa, por se tratar de um dos cinco maiores poluidores do mundo, e o documento apresentado não dá muitos detalhes sobre como a meta será alcançada. Apenas fala genericamente em florestas, dando a entender que a maior parte da meta será cumprida apenas deixando o mato crescer e sequestrar carbono. Vale lembrar também que o colapso da União Soviética, em 1990, derrubou as emissões russas em mais de 50% – ou seja, na verdade, o país está se comprometendo a aumentar suas emissões até 2030.

Além disso, no acordo de Copenhague, em 2009, a Rússia se comprometeu a reduzir entre 15% e 25% de suas emissões até 2020 (em relação a 1990). Então, 25% a 30% não é grande esforço para o período de 2020 a 2030. A base da economia russa é justamente a indústria prejudicada pela queda de emissões: petróleo, mineração e indústria bélica.

O charme da meta de redução de emissões é a sinalização de que a proposta pode mudar, a depender das negociações no decorrer do ano e do que os demais poluidores vão apresentar como contribuição para que o aumento da temperatura global não ultrapasse os 2ºC em relação ao período pré-industrial.

Vale lembrar que é graças à Rússia que o Protocolo de Kyoto entrou em vigor – mesmo com atraso, já que só foi assinado pelos russos em 2004. Para que o tratado de Kyoto pudesse entrar em vigor, seria necessária a adesão de pelo menos 55% dos países que mais poluíam no mundo em 1990, ou o acordo não teria nenhuma eficácia.

Os Estados Unidos, responsáveis por 36% das emissões em 1990, e a Austrália, se recusaram a assinar a medida, ou seja, a Rússia teve de ratificar o tratado para salvá-la do colapso. Alguns analisaram a retomada da Rússia nas negociações como uma jogada diplomática para agradar a ONU após ser criticada veementemente por violar direitos humanos na Ucrânia. Isso mesmo, Ucrânia.

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