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Se chuva mantiver média de março, paulistano ficará casado com o volume morto até dezembro

cantareiragar

(@ Nossa São Paulo/Creative Commons)

 

Claudio Angelo

(Observatório do Clima)

Alguém se lembra do Sistema Cantareira? E de que está faltando água em São Paulo?

Com as chuvas abundantes que caíram em fevereiro e caem em março no Centro-Sul do país, a crise hídrica deu um tempo no radar das pessoas – que já não sabiam mais que piada fazer com o próprio infortúnio. Mas um relatório publicado nesta sexta-feira pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) ajuda a ressecar a memória: mesmo com as chuvas, na última semana chegou menos água do que o previsto nos reservatórios do sistema, e a precipitação acumulada no mês até o dia 18 foi 27% menor que a média histórica.

Se o quadro se mantiver, o chamado volume morto do Cantareira só terá 60% do seu total de água recuperado até dezembro. E os paulistanos terão de ficar casados com ele – e bebendo sua água – até o fim do ano.

O Cemaden, ligado ao governo federal, monitora diariamente a situação dos reservatórios com uma rede de 30 pluviômetros. Usando um modelo de computador, seus pesquisadores convertem a chuva em vazão, ou água chegando aos rios e às represas. Toda semana o órgão divulga uma atualização do estado do sistema, uma projeção de chuvas para os próximos dias e uma verificação da previsão da semana anterior. A partir daí, estima qual será o volume armazenado nos reservatórios no final do ano, considerando vários cenários de precipitação.

O relatório desta semana mostra que a situação de São Paulo ainda é crítica: entre 10 e 17 de março, a vazão que chegou aos rios do Cantareira foi de 51,4 metros cúbicos por segundo, contra 65 metros cúbicos por segundo previstos. Choveu muito, mas muito mesmo, entre fevereiro e março, mas mesmo assim a média do período foi menor que a média histórica medida entre 1930 e 2013. E, como lembra a análise do Cemaden, “destaca-se também que, estatisticamente, a estação chuvosa na região do Cantareira acaba entre finais de março e início de abril” (grifo deles). Se as chuvas chegarem à média histórica, o volume morto se recupera em 125 dias. Se forem 25% abaixo da média, como na primeira quinzena de março, o volume morto ainda estará bem vivo nas torneiras da população em dezembro.

 

 

 

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