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OC, Claudio Angelo

Um projeto de arte inspirado por povos indígenas do Acre promete transformar os monumentos de Paris numa espécie de Amazônia virtual durante a COP-21, a Conferência do Clima das Nações Unidas, que começa no fim de dezembro na capital francesa.

A megainstalação One Heart, One Tree (Um Coração, Uma Árvore), da artista belgo-tunisiana Naziha Mestaoui, quer usar 30 videoprojetores instalados em alguns dos principais pontos turísticos da cidade para “convidar o público a plantar árvores virtuais” no exterior dessas construções e “reconectar o homem à natureza e despertar nossa consciência”.

Cada participante poderá “plantar” sua “árvore” baixando em seu smartphone um aplicativo que detecta batimentos cardíacos. Cada semente virtual “crescerá” no ritmo dos batimentos do coração do “jardineiro” até virar uma árvore. Segundo a artista, para cada árvore virtual acesa pelo público será plantada uma árvore real em projetos de reflorestamento na América do Sul, na África, na Ásia e na Europa.

Segundo os organizadores, Paris ficará iluminada “para representar a ecologia pós-moderna”.

Ao Observatório do Clima, Mestaoui contou que o conceito do projeto vem de viagens à Amazônia, onde ela passa um mês por ano trabalhando com artistas das tribos Ashaninka e Kaxinawá, no Acre. “Para as tribos, uma árvore é um ser consciente, uma inteligência, algumas árvores são consideradas verdadeiras bibliotecas”, afirmou. “Meu objetivo era criar uma obra de arte que questionasse nossa relação com a natureza e nosso ambiente, usando tecnologias e dando a possibilidade de nos conectar, por meio das batidas do nosso coração, a outros seres vivos, as árvores. As tecnologias, simbolizando nosso futuro, não são opostas à natureza, mas contribuem, no projeto, para nos reconectar aos nossos ambientes.”

Segundo Mestaoui, as árvores reais serão plantadas em 30 projetos de reflorestamento, um deles com os próprios Ashaninka, por meio de uma empresa especializada nisso, a Pur Projet, da França. O custo de plantar uma muda real será de 2 a 3 euros e a árvore será acompanhada durante três anos.

Ela estima que os projetores consumirão 16 kWh de energia durante a COP e emitirão 20 toneladas de CO2. As emissões serão compensadas mediante o plantio de cem árvores. “Isso não é o eixo central do projeto, é realmente o valor imaterial da natureza”, diz Mestaoui.

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