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Por Bruno Toledo (OC)

_MG_8131(1)Não teve pra ninguém: esta foi a Conferência do Clima da Austrália. Ninguém brilhou tanto quanto ela nos corredores da COP 20 de Lima. Pena que os motivos não foram bons, e nem o brilho foi exatamente bonito.

A Climate Action Network (CAN International) anunciou hoje a Austrália como o “Fóssil do Ano” na Conferência de Lima, “distinção” esta obtida por causa do recorde de Fósseis do Dia que o país colecionou no Peru: quatro vezes. De acordo com a CAN, o governo australiano veio a Lima sem qualquer disposição para avançar nas negociações, tanto que enviou o ministro do comércio Andrew Robb, um cético público sobre mudanças climáticas, como “guardião” da ministra do Exterior Julie Bishop, para evitar que ela pudesse assumir compromissos que não são do interesse do criticado primeiro-ministro Tony Abbott.

Ontem o país já tinha recebido o “prêmio” do dia devido a declarações de Robb, feitas em encontro com representantes de grandes empresas nessa semana, de que a Austrália não estava disposta a colocar seu “pescoço na corda” se seus principais concorrentes internacionais não fizerem o mesmo – o que mostra a falta de comprometimento do atual governo Abbott com a questão climática. Na terça, os australianos foram lembrados com o Fóssil do Dia por causa de uma declaração de um negociador australiano, dizendo que ele não compreendia o conceito de “limite de temperatura de longo prazo” e a ideia de “solidariedade global”.

Na sexta passada, os australianos receberam o Fóssil porque a ministra Bishop anunciou que o país não contribuiria com o Fundo Climático Verde (GCF, sigla em inglês) – ainda que o governo australiano tenha voltado atrás dias depois e anunciado uma contribuição para o fundo. Um dia antes, o país ganhou seu primeiro Fóssil, por dizer numa sessão da ADP que perdas e danos deveria ser um elemento de adaptação, e não um tema individual no futuro acordo de Paris.

Hoje a CAN também anunciou os Fósseis do último dia de COP 20: os grupos negociadores Umbrella e Like Minded Developed Countries (LMDC), pelo radicalismo de suas posições nas mesas de negociação, o que está impedindo discussões políticas cruciais e atrapalhando o caminho para o entendimento político. Em 2º lugar, ficaram a tríade Belarus-Rússia-Ucrânia, por impedirem a aplicação imediata das regras do segundo período do Protocolo de Quioto, firmado na COP 18 (Doha, 2012), que na prática foram adiadas para depois da Conferência de Paris. Em 3º lugar, um velho conhecido dos prêmios Fóssil: Canadá, por dizer na COP 20 que o país está no caminho para cumprir suas metas de redução prevista para 2020 – o que, segundo a CAN, é inverídico.

Saiba mais sobre os Fósseis do Dia da CAN International

Foto: Bruno Toledo/OC

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