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Ricardo Barretto, OC

Uma das questões tabu quando se fala em substituição de combustíveis fósseis para a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) é a adoção de energia nuclear. “O AR5 relata os riscos associados à energia nuclear”, osbervou o presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) Rajendra Pachauri em conversa com jornalsitas. “Mas ela tem méritos enquanto emissões muito baixas ou quase zero e é opção para países que não têm outra alternativa para a substituição dos combustíveis fósseis”, comentou o cientista.

O tom de “choque de realidade” também veio com o espinhoso tema do captura e estoque de carbono (CSS, na sigla em inglês). “Também relatamos os riscos e incertezas relacionados ao CCS. Mas se temos de trazer a redução a zero ou menos, o CCS é uma opção presente que o mundo talvez tenha de olhar”, sentenciou Pachauri. A polêmica em relação às tecnologias que sequestram carbono do ar, para inserção no subsolo ou áreas de isolamento, envolve questões como efeitividade dos resultados, riscos ambientais e até estímulo a não redução de emissões na produção – pela perspectiva de sequestro posterior.

press_rajendra_pachauriQuando Pachauri fala em “redução a zero ou menos”, refere-se à indicação do AR5 de que é preciso limitar o aumento da temperatura do planeta a 2ºC e, para isso é necessário reduzir emissões até a metade do século a 40% dos níveis registrados em 2010 e chegar a emissões zero ou negativas até o fim do século. Passar do limite dos 2ºC causaria impactos cada vez maiores e poderiam significar um cenário inviável para a vida humana, caso a temperatura se eleve a 4,8ºC – ponto ao qual chegaríamos se fosse mantida a trajetória atual de emissões.

Para alcançar essa redução drástica e urgente de emissões de GEE, o IPCC mapeou um cardápio de possibilidades, como a mudança de matriz energética, excluindo os combustíveis fósseis; a redução da demanda por energia dos setores da economia de maior consumo; e opções mais controversas como a energia nuclear e o CCS, entre outras iniciativas.

Não só a mitigação é urgente, ressalta Pachauri, mas também a adpatação aos impactos das mudanças climáticas. “Quanto mais cedo tomarmos ações, mas fácil será. Se adiarmos, os custos serão bem mais altos e as tecnologias necessárias podem não estar acessíveis num nível que seja necessário”, alerta o nononono do IPCC. “Acima de um certo nível de mudança do clima, chegaremos a um ponto sem retorno, o que tornaria a adaptação impossível”, explicou o cientista para reforçar a importância de que mitigação e adaptação sejam trbalhadas conjuntamente.

 

Destaques do AR5

Rajendra Pachauri salientou que o esforço científico em torno do 5º Relatório do IPCC foi sem precedentes e que ele traz ganhos importantes para o entendimento da questão climática entre formuladores de políticas e a sociedade em geral: “Havia a noção errada que mudanças climáticas dizia respeito a apenas elevação da temperatura do planeta. Esse relatório veio para mostrar que acontece um desequilíbrio geral no clima, incluindo eventos extremos.”

rajendra_pachauriNa percepção de Pachauri, hoje, muitos delegados na COP entendem que os impactos não só vão piorar no futuro, mas que já estão acontecendo. Para ele, as negociações internacionais devem tomar por base os cenários apresentados pelo AR5. “Por exemplo, a apresentação dos INDCs tem de ser olhada em termos do orçamento de carbono e do caminho para assegurar os 2 graus de aquecimento”, orienta Pachauri, mencionando as Contribuições Determinadas a Nível Nacional. Este é o documento que detalha como cada país fará suas reduções de gases de efeito estufa, que deve ser entregue à UNFCCC, preferencialmente, até março de 2015 e, no máximo, até junho.

Entre as contribuições importantes do AR5, destacam-se as seguintes informações:

– Desde a metade do último século, é extremamente provável que a maior parte das mudanças climáticas tenham sido causadas pela ação humana;

– Desde 1900 até 2010 o nível do mar aumentou 20 cm, o que ameaça principalmente os países insulares, nao só com o risco de submersão, mas enxentes, tempestades mais extremas, deslocamentos forçados etc.

– Agricultura: caso a temperatura suba acima dos 2ºC os impactos para a agricultura serão acentuados, afetando tanto a segurança alimentar, principalmente de populações mais pobres, como levando ao declínio de cultivos como milho, arroz e outros.

– A disponibilidade de água em diversas regiões ficará comprometida.

– Inúmeras espécies estarão ameaçadas de extinção, comprometendo a biodiversidade do planeta.

 

Oceanos

Pachauri fez questão ainda de salientar a ampliação significativa de informações sobre os Oceanos, trazida pelo AR5. Por exemplo, cerca de 30% das emissões globais foram abosrvidas pelos oceanos, o que os tornou mais ácidos. “Se continuarmos as emissões ou as mantivermos no mesmo nível, a acidificaçao vai continuar”, avisa o cientista.

Ele lembra também que o aquecimento dos oceanos já é percebido a uma profundidade de 700 metros, o que junto, com a acidificação põe em risco a vida marinha.

OC, 11/12/2014
Ricardo Barretto

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