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Por Greenpeace Brasil

IMG_2757Durante abertura da Cúpula dos Povos, em Lima, cinco lideranças Munduruku denunciam governo brasileiro à relatora especial da ONU sobre o não cumprimento da Convenção 169 da OIT na construção de grandes hidrelétricas na Amazônia

Enquanto negociadores discutem na COP, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece em Lima, no Peru, como combater as ameaças do clima, representantes de povos indígenas de todo o mundo se reuniram ontem, dia 8, para a abertura da Cúpula dos Povos, evento que ocorre em paralelo à COP para ampliar o debate e incluir a participação de movimentos sociais.

Na ocasião, os Munduruku informaram à relatora especial da ONU para direitos indígenas que o Brasil não está respeitando a Convenção 169 da OIT, diante da falta da Consulta, Livre, Prévia e Informada em relação a construção das hidrelétricas previstas para o rio Tapajós, na Amazônia: “O governo não nos consultou sobre esse grande projeto e por isso estamos aqui, para denunciá-lo por estar atropelando a lei. Nós não vamos abrir mão do rio Tapajós, onde temos vários lugares sagrados”, afirmou Josias Munduruku.

Vicky Tauli-Corpuz, a relatora especial da ONU para povos indígenas, disse que é preciso que os direitos humanos estejam integrados com as discussões que estão ocorrendo durante o evento oficial. “Eu vim aqui hoje para ouvir sobre as violações aos direitos humanos que estão acontecendo em vários países da América Latina. É uma ótima oportunidade para entender o que está acontecendo nessa região e fazer a conexão com o que está acontecendo dentro da Conferência sobre mudanças climáticas”, afirmou ela.

Durante a mesa sobre desmatamento e mudanças climáticas, organizada pela Aidesep (Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva Peruana) e pela Forest Peoples Programme, os Munduruku também fizeram uma fala pública em que condenaram o projeto que prevê a construção de uma série de hidrelétricas no rio Tapajós, onde vivem, afirmando que irão resistir “até a última gota de sangue” e reiterando que o governo deve realizar a consulta em todas as mais de cem aldeias. A mesa reuniu ainda indígenas de várias partes do América Latina, que expuseram os problemas em comum enfrentados pelos povos da Pan Amazônia, que estão sendo ameaçados por madeireiros e grandes projetos de infraestrutura, como mineração, extração de petróleo e a construção de grandes hidrelétricas.

Cerca de oito mil pessoas e duzentas organizações sociais de varias partes do mundo estão sendo aguardadas para a Cúpula dos Povos, que esse ano tem como tema central: “Mudemos o sistema, não o clima”.

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