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Por Bruno Toledo (OC)

15395984067_6cc16db22d_k (1)Na semana passada, a cidade alemã de Bonn recebeu os negociadores da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) para a última rodada de conversas antes da Conferência do Clima de Lima (COP20), que acontece em menos de cinco semanas. O encontro de Bonn tinha como propósito preparar os últimos detalhes para que as negociações no Peru deslanchem rumo a uma estrutura de acordo climático global, principal objetivo da COP20.

Entretanto, as conversas de Bonn pouco avançaram nos elementos necessários para as negociações de Lima. Isso significa que o esforço diplomático na COP20 precisará ser ainda maior, o que coloca pressão sobre as Nações Unidas e os governos para uma saída política efetiva. “Estamos deixando Bonn sem muito mais clareza do já tínhamos quando chegamos aqui sobre como conseguiremos tomar as decisões necessárias em Lima para confrontar a ameaça das mudanças climáticas”, disse Alden Meyer, da Union of Concerned Scientists ao TckTckTck.

Os negociadores já têm em suas mãos um draft sobre as ambições pré-2020, que deve avançar para uma decisão durante a COP20. Entretanto, um novo texto sobre o conteúdo das chamadas contribuições nacionais dentro do acordo climático de 2015 está causando preocupação em muitos países e organizações da sociedade civil. Para eles, o draft em discussão não consegue representar o que a ciência diz sobre a questão climática e não reflete as discussões que aconteceram em Bonn na semana passada. “Precisamos de um texto que nos dê uma base forte para as negociações. Quando tivermos isso, poderemos resulver as diferentes questões. Precisamos ser capazes de ver as diferenças entre países e encontrar convergência, ao menos começar as negociações em torno dessas diferenças”, disse Mohamed Adow, da Christian Aid.

Outro ponto que ficará para ser definido em Lima é o conteúdo das contribuições nacionalmente definidas – ou seja, o que os países colocarão como parte de seus compromissos de redução de emissões para o novo acordo climático. Essas contribuições devem ser submetidas à UNFCCC no primeiro semestre de 2015 e servirão como referência fundamental para definir quais serão as metas e os instrumentos de cada país para reduzir suas emissões a partir de 2020.

No geral, de acordo com a sociedade civil, as conversas em Bonn não conseguiram absorver o ímpeto criado pelas mobilizações sociais e políticas em torno da Cúpula do Clima, realizada no final de setembro em Nova York. Ou seja, a agenda de Lima será mais cheia do que o esperado, o que exigirá dos negociadores mais disposição. Outro elemento que deverá reforçar a pressão política sobre os negociadores será a conclusão dos trabalhos do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, sigla em inglês) em seu 5º Relatório de Avaliação. O relatório síntese deverá mostrar com mais certeza que nunca que as mudanças do clima estão acontecendo, que a atividade humana é a responsável por isso e que os impactos desse processo já fazem parte do nosso cotidiano.

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