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Por Bernardo Camara/Greenpeace Brasil

Banners at the People's Climate March in the USNos últimos dias, mais de cem líderes de governos do mundo todo estiveram nos Estados Unidos para participar da Cúpula do Clima da ONU. A presidenta Dilma Rousseff também passou por lá. Não saíram grandes acordos dali. Mas o jornal britânico The Guardian registrou cinco motivos que fizeram do encontro uma marca na política climática global. A lista vale ser reproduzida.

Motivo 1: Os políticos falaram. E muito. Cada uma das 120 lideranças mundiais discursou por alguns minutos sobre mudanças climáticas. Isso é significativo por pelo menos duas razões. A primeira é que a maioria deles nunca havia abrido a boca para comentar o assunto. A cúpula os forçou a tornar públicas as medidas que pretendem tomar contras as mudanças climáticas. A segunda razão é justamente essa: suas palavras estão registradas, e podem ser cobradas nos próximos encontros onde compromissos serão firmados.

Motivo 2: A China – maior emissor de gases estufa do planeta – afirmou que vai anunciar, “o mais breve possível”, uma data limite para que suas emissões atinjam um pico e comecem a ser reduzidas. Até então, o país não havia esboçado publicamente qualquer previsão disso. Quando o compromisso vier dos chineses, os Estados Unidos vão sofrer uma enorme pressão para também estipular datas internas.

Motivo 3: O encontro estimulou uma série de compromissos do mercado, de governos e de outros atores em aspectos específicos. No campo florestal, por exemplo, 24 grandes empresas prometeram tirar de sua cadeia de produção fornecedores de óleo de palma que têm desmatado. Um grupo de bancos e fundos de pensão também se comprometeram a investir US$ 200 bilhões em projetos de baixo carbono, enquanto 2 mil cidades ao redor do mundo anunciaram planos de reduzir suas emissões.

Motivo 4: A Cúpula apresentou uma nova lógica para que essas ações possam sair do papel. Vários líderes, como Obama e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declararam que não há mais necessidade de escolher entre crescimento econômico e redução de emissões: os países podem ter os dois. A fala deles estava apoiada num estudo lançado na última semana, o Climate Economy (Economia do Clima). O relatório traz novas e fortes evidências de que agir contra as mudanças climáticas faz muito bem à economia.

Motivo 5: Talvez o mais importante dos cinco: o movimento pelo clima está com novo fôlego. Na véspera do encontro, as mais de 400 mil pessoas que tomaram as ruas em Nova York e outras milhares que fizeram o mesmo em outras cidades do mundo colocaram o assunto em pauta novamente. As manifestações mostraram aos governos que muita gente se importa com o que está sendo dito e feito sobre clima.

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