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Por Greenpeace Brasil

Presidente Dilma Rousseff fala na Cúpula do Clima  (foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

Em discurso na ONU, a presidente fala sobre mudanças climáticas e desmatamento e apresenta Brasil para gringo ver; Greenpeace lembra que a situação “no chão” é bem diferente

O Brasil é um exemplo de que um modelo de desenvolvimento sustentável é possível. Esse foi o tom do discurso da presidente Dilma Rousseff na Conferência de Clima da ONU, realizado nesta terça-feira 23. Se a fala soa como música aos ouvidos da comunidade internacional, ela não dá conta dos problemas e retrocessos enfrentados aqui no Brasil.

Dilma enfatizou a diminuição do desmatamento na Amazônia como a maior contribuição para redução das emissões de gases efeito estufa no país. Porém, essa importante conquista, fruto de esforços da sociedade, de setores de mercado e de ações do governo está sob séria ameaça. A queda do desmatamento foi interrompida na medição do ultimo período, apresentando aumento de 29%. Dados recentes do INPE apontam que esse ano temos um nova tendência de alta de 9% para este ano.

Além disso, com o novo Código Florestal, aprovado em 2012, o governo federal anistiou o desmatamento ilegal, fazendo a alegria daqueles que derrubaram a floresta apostando na impunidade. Outra ameaça está hoje no Congresso Nacional, onde tramitam projetos de lei que colocam em risco Unidades de Conservação e Terras Indígenas, mecanismos que são comprovadamente os mais eficientes na preservação das florestas.

“No chão da floresta, a desgovernança é muito maior do que o discurso da presidente na ONU dá a entender”, defende Marcio Astrini, coordenador do Greenpeace. Para ele, a exploração de madeira na Amazônia, forte vetor de destruição florestal, está fora do controle: entre 60 e 80% de toda a madeira explorada é ilegal, o que acarreta no aumento significativo da violência na região.

Aqui no Brasil a presidente, que também é candidata à reeleição, continua relutante em anunciar o compromisso com o fim do desmatamento nas florestas brasileiras no próximos quatro anos.

Sobre energia renovável, Dilma anunciou para a plateia da ONU que o país investe nesse tipo de geração. Não é o que se vê na prática: o Plano de Expansão Decenal de Energia, anunciado há uma semana, prevê que 70% dos investimentos no setor de energia serão voltados aos combustíveis fósseis. Para as renováveis, como eólica, solar e biomassa, serão apenas 9,2% e, para os biocombustíveis, 6,5%.

Energia Solar, que poderia abastecer mais de 10 milhões de residências e baixar tanto a conta de luz quanto o custo ambiental do país, ainda é vista pela presidente como energia de pouca importância. O pouco investimento nessas fontes ocorre ao mesmo tempo em que o governo prioriza grande usinas hidrelétricas na Amazônia. Quase metade da expansão de eletricidade prevista de capacidade instalada no Plano de Energia é voltado para grandes hidrelétrica, a maior parte delas na Amazônia, que embutem enormes impactos socioambientais e tem sua viabilidade econômica contestada.

Ainda no contexto das emissões brasileiras, faltou também mencionar que outros setores como indústria, transporte, energia e agropecuária nunca pararam de crescer. Entre 2009 e 2012, somente o setor elétrico aumentou suas emissões em cerca 500%.

A redução do desmatamento nos últimos anos foi extremamente importante, mas está sob risco. A falta de governança em nossas florestas ainda impera e continuamos perdendo 6.000 km2 de Amazônia anualmente e o quadro de violência na região só aumenta. Além disso, os principais investimentos em energia caminham rumo às fontes sujas e as emissões dessa área aumentam sensivelmente.

“O atual quadro não permite que o governo passe a impressão de que no Brasil o desmatamento está sob controle e a lição de casa foi feita. Sob a batuta do atual governo, o Brasil não ruma para ser exemplo de modelo sustentável, como afirmou hoje a presidente Dilma na tribuna da ONU”, completa Astrini.

Leia aqui o discurso completo de Dilma Rousseff

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