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Por Bruno Toledo (OC)*

banner_oc_PeoplesClimateDestaque_set2014Nova York já vive o clima de mobilização e expectativa para a reunião de chefes de Estado convocada por Ban Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas, para discutir o futuro dos esforços globais para enfrentar as mudanças do clima nas próximas décadas.

Além do encontro de líderes políticos na sede da ONU, as ruas da maior metrópole do planeta também receberão milhares de pessoas nesse fim de semana, na maior mobilização social da história para questões de clima. A Mobilização Climática dos Povos (People’s Climate March) vai promover uma grande marcha em NY, e mais de 1500 eventos ao redor do planeta, para pressionar a Cúpula em torno de encaminhamentos para soluções efetivas na luta para conter o aquecimento global. Estima-se que as movimentações apenas em NY deverão reunir cerca de 100 mil pessoas.

Por ora, mais de 120 chefes de Estado confirmaram presença na Cúpula, entre eles a presidente Dilma Rousseff – ao menos, de acordo com a ONU, já que a agenda presidencial ainda não contempla a participação da presidente no encontro. Líderes globais como Barack Obama (EUA), David Cameron (Reino Unido), François Hollande (França) e Jacob Zuma (África do Sul) confirmaram presença no encontro. No entanto, as ausências também são notáveis: Narendra Modi, recém-empossado primeiro-ministro da Índia; Vladimir Putin, presidente russo; e Angela Merkel, chanceler da Alemanha. Países como Canadá e Austrália, que nos últimos anos vem desmontando políticas em clima e metas de redução de emissão, também não enviarão lideranças políticas. Além dos chefes de Estado e ministros, participarão da Cúpula convidados da sociedade civil e mais de 100 representantes da iniciativa privada.

O encontro acontece a 14 meses do deadline estabelecido pelas Nações Unidas para que os países finalizem um novo acordo climático global no âmbito da Convenção-Quadro sobre Mudanças do Clima (UNFCCC, sigla em inglês). A Conferência do Clima de Paris (COP 21), em dezembro de 2015, deverá ser o ponto final de um processo longo e arrastado de negociação, e ainda sem grandes garantias de sucesso em seu resultado.

Por isso, para elevar a ambição e engajar os governos em torno das negociações, Ban Ki-Moon convocou a Cúpula, que acontecerá na próxima terça (23/9), durante o dia inteiro. O tempo não é suficiente para grandes resultados, mas espera-se que, ao menos, os governos participantes tragam alguma luz para guiar a fase final de negociação do instrumento jurídico sucessor do Protocolo de Quioto.

As expectativas da Cúpula são mais simbólicas do que efetivas. A principal esperança de Ban Ki-Moon e da sociedade civil mobilizada em todo o mundo é de que a Cúpula ofereça uma atmosfera que convença os líderes globais da necessidade de um acordo climático ambicioso, com metas expressivas e instrumentos efetivos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no planeta. Assim, NY daria um impulso decisivo para as negociações climáticas da ONU, que continuam na próxima Conferência do Clima (COP 20) em Lima – algo bastante desejável para evitar que o debate político atual em clima repita a mesma trajetória daquele que levou ao fracasso na Conferência do Clima de Copenhague (COP 15), há cinco anos. Restabelecer a confiança no processo de negociação e dos próprios negociadores entre si é fundamental para que tenhamos algum resultado positivo.

*Com informações do portal RTCC

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