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Por Bruno Toledo (OC)

maracana1Faltando poucos dias para a abertura da Copa do Mundo FIFA 2014, o governo federal anunciou ontem que todas as emissões de gases de efeito estufa (GEE) decorrentes da realização do evento no Brasil estão neutralizadas.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil compensou sete vezes mais do que o estimado para as emissões diretas de GEE. Ao todo, foram compensadas 420,5 mil toneladas de gás carbônico equivalente (tCO2eq), unidade usada para medir a liberação de GEE. O número ultrapassa as 59,2 mil tCO2eq estimadas para atividades como obras, uso energético nos estádios e deslocamento de veículos oficiais.

O esforço de neutralização se deu a partir de uma ação do MMA junto à iniciativa privada. Em cumprimento ao artigo 65 da Lei Geral da Copa, o Ministério lançou em abril uma chamada pública às empresas brasileiras para doação de Reduções Certificadas de Emissões (RCEs), os famosos créditos de carbono reconhecidos pelo Protocolo de Quioto. As empresas que fizeram a doação receberam em troca o direito de uso do selo “Baixo Carbono”, criado pelo MMA especialmente para a ação da Copa do Mundo.

De acordo com o MMA, as emissões totais da realização da Copa deverão chegar a 1,406 milhão de tCO2eq, valor que inclui transporte aéreo internacional (87,1% do total), aéreo doméstico (9,2%), hospedagem (1,8%), obras (0,5%) e operações (1,4%). Ao final da competição, o governo deverá concluir um inventário defitinivo, com a consolidação das emissões geradas pela Copa.

Beira-Rio-novoEsse esforço do governo brasileiro coloca o país como pioneiro no desenvolvimento de metodologias para compensação carbônica de grandes eventos. Segundo Carlos Klink, secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, o governo estudou as boas práticas na metodologia do IPCC e decidiu criar sua própria metodologia, com expertise internacional e de forma participatória. “Nós conseguimos muito mais do que o que precisávamos, e estamos muito agradecidos por isso. Esta é uma grande vitória, porque a metodologia é transparente, com as melhores práticas mundiais. Esperamos que ela possa ser usada como um modelo para grandes eventos, como os Jogos Olímpicos”, diz Klink para o portal RTCC.

Mas nem tudo é carnaval. Se as operações básicas da Copa à cargo do Brasil estão neutralizadas, muitos problemas persistem e colocam em xeque a imagem da “Copa sustentável”.

Segundo o economista Luiz Prado, consultor do Banco Mundial e membro da Rede Brasileira de Informação Ambiental (REBIA), a imagem que o governo tenta passar pode não ser tão “verde” assim.

“Os estádios estão equipados com a capacidade mínima para captura e reuso de água. Nós estamos numa situação absurda de cultivar os campos de futebol com luz artificial, à despeito de sermos um país tropical. Essa luz artificial pode custar ao menos US$45 mil ao mês. Não temos nenhum estádio sustentável”, diz Prado ao portal RTCC.

Para o consultor, dois grandes erros contribuíram para que essa Copa não fosse totalmente sustentável: problemas no planejamento e falta de transparência. “As autoridades não calcularam os custos reais, e nenhuma alternativa foi apresentada à sociedade”.

Com informações do MMA e do portal RTCC

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