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Por Bruno Toledo (OC)

Depois da reunião intersessional de Bonn, que terminará no próximo dia 15, o momento seguinte na agenda de negociações diretas no âmbito da UNFCCC será em dezembro, quando se realizará a Conferência do Clima de Lima (COP20), no Peru.

Faltando mais de seis meses para o começo da conferência, o governo peruano já se prepara para sediar o encontro da UNFCCC num momento crítico para as negociações do novo acordo climático internacional. A COP20 será a última oportunidade para avançar num esboço mais completo desse acordo, que deverá ser definitivamente selado exatos 12 meses depois, na Conferência de Paris. Caso Lima não consiga avançar nas negociações, a pressão sobre os negociadores em Paris em 2015 poderá ser muito grande – o que pode resultar num cenário parecido com o da malfadada Conferência de Copenhague (COP15), em 2009.

Para evitar essa ameaça e garantir que os negociadores oficiais tenham condições para avançar na agenda de discussão, o governo peruano vem se esforçando para criar um ambiente mais amistoso do que o visto na COP19 em Varsóvia, em novembro passado. Quem encabeça as iniciativas do governo peruano para a COP20 é o seu ministro do meio ambiente, Manuel Pulgar-Vidal.

Manuel Pulgar-Vidal (à direita), e Marcin Korolec (Polônia)

Para o ministro peruano, a urgência pela definição do novo acordo o quanto antes pode levar os negociadores a avançar bastante em Lima, mas as questões que se arrastam desde a COP15 continuam assombrando as mesas de negociação. De acordo com Pulgar-Vidal, é importante que se enxergue o processo de negociação como um problema integral, e não de forma fragmentada em itens.

“Tópicos como financiamento estão ligados com mitigação. Isto, por sua vez, está ligado com questões como transferência de tecnologia e florestas, que por sua vez está ligado à adaptabilidade, o que ao mesmo tempo se relaciona com os países mais vulneráveis”, aponta Pulgar-Vidal. “Tudo está interconectado. Se não pensarmos nessa negociação como interconectada, nós fracassaremos. É importante ver como todos esses cenários estão integrados, para assim podermos obter uma melhor atmosfera de confiança que gera um melhor entendimento”.

Confira abaixo alguns tópicos traduzidos da entrevista do ministro peruano do meio ambiente, Manuel Pulgar-Vidal, para o site SciDevNet. Clique aqui e confira a entrevista na íntegra, em inglês.

Quais serão os tópicos mais difíceis de se acordar na COP20?
Eu acho que eles serão os mesmos tópicos que vem se arrastando desde a COP15 em Copenhague, em 2009. Aqueles relacionados com os princípios das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, financiamento, obrigações legais dos países, transferência de tecnologia e mecanismos internacionais para endereçar perdas e danos. É interessante ver a recorrência destes mesmos tópicos enquanto estamos nos aproximando do fim do período de compromisso extenidod que foi concedido para se chegar a um novo acordo sobre mudança do clima. Por causa disso tudo, é fato que uma resposta criativa é necessária.

Mas ainda existem elementos de polarização?
Existem sim, mas também é muito importante abordar a discussão no todo, como um problema integral. Tópicos como financiamento estão ligados com mitigação. Isto, por sua vez, está ligado com questões como transferência de tecnologia e florestas, que por sua vez está ligado à adaptabilidade, o que ao mesmo tempo se relaciona com os países mais vulneráveis: o pequenos estados insulares. Tudo está interconectado. Se não pensarmos nessa negociação como interconectada, nós fracassaremos. É importante ver como todos esses cenários estão integrados, para assim podermos obter uma melhor atmosfera de confiança que gera um melhor entendimento.

Você está otimista em chegar a um acordo na COP20?
Eu realmente penso que a urgência por um acordo obrigatório em mudanças climáticas nos levará a conseguir alguma coisa. Mas eu estou realmente certo de que teremos características especiais: Quioto não se repetirá, este é um fato! O mundo mudou. Ainda que existam princípios que se mantém, como os princípios das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, isto não significa que qualquer país poderá ser exonerado em cumprir com suas responsabilidades.

Como a conferência pode fazer com que países desenvolvidos, especialmente Estados Unidos e Japão, cheguem a termos com reduções legais obrigatórias nas emissões?
Se conseguirmos um nível decente de compreensão sobre a necessidade de todos nós em contribuir de uma forma ou outra para limitar ou reduzir as emissões de gases de efeito estufa para evitar futuras consequências, nós podemos fazer isso.

Foto: IISD

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