Escrito em por & arquivado em Negociações Internacionais, Política e Clima.

Por Bruno Toledo (OC)

Copresidentes da Plataforma de Durban (ADP) Kishan Kumarsingh (Trinidad e Tobago) e Artur Runge-Metzger (União Europeia). Foto: IISDMais uma rodada de conversas começa na quarta dia 04 em Bonn (Alemanha). Será o último encontro de nível antes da cúpula de chefes de Estado que as Nações Unidas organizarão em setembro e da decisiva Conferência de Lima (COP20), em dezembro.

Mesmo sem grandes expectativas – apenas 43 países (dentre os mais de 190 países que fazem parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima) enviarão ministros para o encontro – as conversas em Bonn podem ajudar na construção de um caminho viável para as negociações no próximo semestre. Mais do que isso: se quisermos um novo acordo efetivo para ser finalizado em 2015, precisamos avançar agora em alguns tópicos relevantes da agenda política.

Para Liz Gallagher, do thinktank britânico E3G, mesmo sem grandes expectativas quanto a compromissos, as conversas na Alemanha a partir da próxima semana podem avançar em alguns desses tópicos (confira artigo completo, em inglês, aqui)

Primeiro, os negociadores e os ministros presentes precisam progredir na definição da ambição pré-2020 – ou seja, o período antes do início da vigoração do futuro acordo climático. Algumas pendências persistem nesse ponto, como quem deve estar envolvido e como os novos compromissos se relacionarão com os compromissos atuais.

Segundo, as delegações precisam ser claras sobre quais países poderão avançar nos compromissos pós-2020 e o que esses compromissos irão acarretar. Essa definição é fundamental para que tenhamos algum sucesso daqui a seis meses em Lima.

Terceiro, avançar na questão financeira para Paris será essencial para catalisar as discussões financeiras no âmbito do Green Climate Fund (GCF), o instrumento financeiro para apoio global às ações em clima.

E finalmente, os ministros precisarão avaliar como lidar com os elementos de adaptação e risco climático, que hoje não estão destacados dentro do acordo. Esse é um tema particularmente caro para os países em desenvolvimento, especialmente aqueles mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. Na última COP, realizada em Varsóvia em novembro passado, esse tema esteve na mesa devido ao desastre causado pelo tufão Haiyan nas Filipinas alguns dias antes, que causou a morte de milhares de pessoas e afetou a vida de outras milhões por todo o país. Provavelmente esse tema voltará à agenda política na próxima COP, e o novo acordo precisará contemplar esses elementos.

Estaremos de olho nas novidades que virão de Bonn nas próximas semanas. Acompanhe aqui no blog e nas redes sociais do Observatório do Clima (Twitter e Facebook)

Deixe um comentário

Você deve estar registrado para deixar um comentário.