Escrito em por & arquivado em Brasil no clima.

 

Patrycja Cieszkowska

Em meio à crise das mudanças climáticas, ao caos do trânsito nas grandes cidades, ao impacto da poluição na saúde pública ? que em São Paulo chega a 3000 mortes por ano ? o governo federal e o estadual de São Paulo anunciam como medida contra a crise econômica o aporte de R$ 4 bilhões cada um para a indústria automotiva.

Talvez estivessem pensando nos empregos que poderiam ser perdidos com a possível onda de demissão desencadeada pela queda na demanda. Mas a dura realidade é que a queda na demanda é realmente necessária, já que, como afirma Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, a cidade enfartou. Suas veias estão entupidas.

Será que passou pela cabeça dos governantes utilizar os R$ 8 bilhões em iniciativas de promoção de indústria e consumo mais sustentáveis, como por exemplo o mercado de energia solar? Ou talvez na expansão do metrô ? substituto do transporte individual? Ou pelo menos criar bases para uma indústria automobilística de baixa emissão de carbono, como condicionantes ao investimento bilionário?

Pelo visto, não. Os representantes dos dois partidos que disputam na mídia o título de responsável pelo desenvolvimento do país usaram da mesma e manjada política de subsídio à indústria automobilística, que vitima pulmões, o clima e o desenvolvimento de infra-estrutura para transporte coletivo urbano e regional.

O toque de ironia vem com as notícias do noticiário de hoje. De um lado, a ministra Dilma afirma que a crise financeira deve privilegiar uma agenda verde. De outro, o governador José Serra anuncia investimento de R$ 150 milhões para pesquisa em bioenergia.

Se os presidenciáveis querem dar uma de sustentáveis, deviam ouvir o pesquisador Paulo Moutinho, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) que disse serem R$ 4 bilhões mais que suficientes para promover o fim do desmatamento na Amazônia. Os outros R$ 4 bilhões, de São Paulo, poderiam zerar o desmatamento da Mata Atlântica no estado e ainda fomentar sua regeneração e o uso sustentável da floresta.

Talvez eles estejam esperando Obama confirmar sua adesão à luta contra as mudanças climáticas.

 

 

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