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Por Bruno Toledo (OC)

Depois de polêmicas, obstruções e recuos, o governo australiano foi o grande “premiado” da COP 19, e recebeu hoje o Fóssil Colossal, “prêmio” da Climate Action Network (CAN) ao país que mais dificultou os processos de negociação internacional em clima no ano. No decorrer desta Conferência, a Austrália colecionou posições polêmicas nas mesas de negociação, procurando diminuir e relativizar compromissos assumidos anteriormente, especialmente na parte de financiamento climático. Além disso, a delegação do país obstruiu as negociações em torno do regime de compensação por perdas e danos, o que a fez colecionar também “Fósseis do Dia” nesta COP 19.

fossil of the day

O Canadá foi outro país lembrado pela CAN e recebeu o Fóssil pelo “Conjunto da Obra” por seu comprometimento em impedir que o processo de negociação pudesse contribuir para a luta contra as mudanças climáticas. No ano passado, o país abandonou o Protocolo de Quioto, ao rejeitar um novo período de compromisso dentro do acordo. Além disso, lembra a CAN, o governo canadense pouco avançou para cumprir seus parcos compromissos de redução de emissão.

Já Cingapura, Estados Unidos e Arábia Saudita foram “agraciados” com o Fóssil do último dia de COP 19. Em primeiro lugar, o governo de Cingapura, por se opor insistentemente à inclusão de elementos claros no roadmap para o novo acordo climático global. Além disso, o país trabalha para enfraquecer o texto sobre os compromissos de redução pós-2020.

Em seguida, os Estados Unidos, por dificultar as negociações em torno do financiamento climático e da relação entre a COP e o Green Climate Fund (GCF), crucial para os países em desenvolvimento. O país também atrapalha nas discussões sobre o mecanismo internacional para perdas e danos.

Finalmente, em terceiro lugar, os sauditas receberam o Fóssil por querer introduzir a questão das “medidas de resposta” dentro do acordo de 2015. Essas medidas garantiriam uma compensação aos países exportadores de petróleo pelas perdas decorrentes da diminuição do seu consumo. Para a CAN, a Arábia Saudita não está interessada em compensações financeiras, mas sim em obstruir as negociações.

Além dos Fósseis, a CAN também entregou o “Raio do Dia” para o Chile, reconhecimento positivo da sociedade civil internacional devido ao engajamento da Aliança dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos Independentes (AILAC) no diálogo com esse grupo, pela integridade moral e por apoiar a juventude nas discussões sobre a Plataforma de Durban e a Equidade Intergeracional.

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