Escrito em por & arquivado em COP.

Por Bruno Toledo (OC)

E a Conferência de Varsóvia viveu hoje mais uma polêmica, dessa vez graças à falta de tato político do governo do primeiro-ministro Donald Tusk: Marcin Korolec, ministro do meio ambiente e presidente da COP19 (e, consequentemente, presidente de todo o processo de negociação internacional até a COP 20, no ano que vem) foi demitido do gabinete nesta quarta, em meio aos momentos mais importantes das discussões na COP 19.

marcin korolec

Marcin Korolec, ex-ministro do meio ambiente da Polônia e presidente da COP 19, durante evento das Nações Unidas (19/11). Foto: Bruno Toledo/OC

Desde a semana passada, o agora ex-ministro vem sendo criticado nos corredores do Estádio Nacional por sua incapacidade de liderar o processo político em clima. No entanto, sua saída nada tem a ver com a COP: segundo Tusk, a mudança no governo se deve a uma nova orientação para que o país acelere “radicalmente” suas operações com gás de xisto. Korolec continuará no comando dos trabalhos da COP 19, e será plenipotenciário polonês nas negociações até o ano que vem, quando a presidência dos trabalhos passará para o governo do Peru, sede da próxima conferência.

Para organizações ambientalistas e analistas presentes na COP, o timing da mudança não poderia ser pior: ele evidencia a falta de vontade política do governo polonês em liderar as negociações em clima. A justificativa para a mudança também irritou ativistas em Varsóvia, já que o governo deixou claro o foco na intensificação de uma nova fonte fóssil de energia – num país em que 80% da sua energia é produzida a partir da queima de carvão vegetal.

Segundo Korolec, a mudança permitirá que ele se dedique mais ao processo político das negociações em clima, mas os resultados desses quase 10 dias de COP colocam em xeque a sua capacidade política para fazer isso.

Deixe um comentário

Você deve estar registrado para deixar um comentário.