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Marina Silva escreveu hoje no Terra Magazine o artigo Homem e natureza em co-autoria. O texto aborda o biomimetismo, uma área da ciência que desenvolve novas tecnologias e produtos a partir da observação e imitação de estratégias e estruturas de plantas e animais. Marina faz a seguinte avaliação:

O biomimetismo torna possível uma interação mais acolhedora com a natureza, afirmando que ela tem muito mais a nos oferecer se nos dispusermos a observar, com cuidado e constância, as dicas que nos dá.”

Cita também a reflexão de Janine Benyus, especialista que vê na área a possibilidade mudarmos nossa relação com a natureza:

Em lugar de “fazer dela”, é melhor “fazer com ela”, tomando-a como parâmetro de arranjos e interações com um nível de complexidade que ainda não conseguimos equacionar. É a “internalização consciente do gênio presente na vida”, segundo Janine.”

A visão das duas pensadoras do meio ambiente é certamente alentadora numa época de crise ambiental tão aguda. Faz pensar também no paralelo com as populações tradicionais. Elas que sempre tiveram a natureza como referência de conduta social junto ao ambiente, utilizam há muito tempo os exemplos que observam e experienciam para desenvolver seus ritos, sua comunicação e interação com o que está à volta.

De um certo modo, ao mesmo tempo em que o biomimetismo parece um novo passo do desenvolvimento tecnológico de nossa sociedade, indica também que a ciência pode abrir mão de um ethos de dominação e exploração que nos impulsionou a esse momento delicado da história da humanidade, para lançar mão de um compartilhamento, uma convivência, ao pé da palavra, como os povos tradicionais fazem há tantos séculos.

Um espírito de humildade e aprendizado que pode trazer um reconhecimento importante ao próprio valor do conhecimento tradicional. E de quebra desenhar um novo caminho que não signifique rota de colizão com o planeta.

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