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Comentário de André Ferretti, coordenador do OC, sobre declarações de Tasso Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente para Floresta e Clima, ao Planeta Sustentável. (Leia aqui)

Apesar dos compromissos assumidos pelo Brasil em 2009, o que o Tasso chamou de agenda interna forte, as discussões no Congresso Nacional sobre o Código Florestal podem por tudo a perder. A flexibilização da lei ambiental permitirá novos desmatamentos e anistiará aqueles que desmataram ilegalmente até junho de 2008. Isso deverá resultar em um aumento absurdo nas emissões brasileiras e a redução da captação de carbono pelas áreas que deveriam ser restauradas e agora serão anistiadas.

O Brasil está na contra-mão dessa nova economia de baixo carbono mencionada pelo Tasso com essas propostas de alteração do Código Florestal, e o pior é que o MMA e o Governo estão satisfeitos com isso. Imagine só se o Brasil não estivesse na ” vanguarda” e não estivesse numa situação econômica tão boa (comparando-se com a Europa, USA, e a maior parte do mundo)?!

Com que cara o Brasil chegará na CoP17 e na Rio+20? Que modelo de desenvolvimento o nosso país quer para as próximas décadas? Desmatar novas áreas, reduzir as áreas de preservação permanente e reserva legal, anistiar quem desmatou ilegalmente até junho de 2008, e coisas do tipo, nos levarão para onde?

O Brasil e o mundo tem sofrido cada vez mais com eventos climáticos extremos. Como disse o Tasso, o próximo relatório do IPCC nos revelará um cenário bem pior que o de 2007, mas devemos lembrar que só poderá divulgar o que for consenso entre os milhares de cientistas dos mais de 180 países e que por isso certamente será mais conservador do que a realidade se apresenta.

As mudanças climáticas estão aí. Grande parte da nossa população, principalmente a mais carente, está vulnerável aos eventos climáticos extremos, como vimos nos últimos anos na região serrana do Rio de Janeiro, em Santa Catarina, no litoral do Paraná, em São Paulo, no Maranhão e Piauí, em Alagoas e Pernambuco, no Acre e em boa parte da Amazônia… Enquanto isso o Congresso Nacional não ouve a sociedade em os cientistas e continua fazendo o que pode para desmontar o Código Florestal. Uma parte da sociedade clama por mais desmatamento, por anistia a crimes ambientais, por direito de ocupar e produzir cada vez mais em áreas frágeis como várzeas, próximo às margens dos rios e em encostas íngremes, pela redução das áreas de reserva legal… Toda a sociedade brasileira pagará o preço se isso for mesmo aprovado. O Brasil é mesmo o país desses grandes avanços internos nas discussões e práticas de combate às mudanças climáticas?

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