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No começo da semana passada, o Japão anunciou que não entraria para o segundo período do Protocolo de Quioto, seguido pela Rússia, Canadá e Austrália.  Isso causou uma grande comoção na COP, gerando em todos um grande medo do fim do multilateralismo, ou seja, o fim das negociações longas, mas inclusivas, democráticas e baseadas em consenso.

Para evitar que isso acontecesse, muitos países se dispuseram a negociar e barganhar, tirando da manga elementos que guardavam para um momento como esse.  Ontem chegaram os ministros, pessoas com maior poder de decisão que os negociadores, ou como o Figueiredo chamou “pessoas com maior latitude”.

Os ministros trouxeram uma forte articulação entre BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China), OASIS (Grupo de pequenos estados insulares tais como Granada, Barbados, Maldivas, Fiji, Cuba, Samoa – http://www.sidsnet.org/aosis/index.html) e Grupo Africano (todos os estados africanos), que juntos estão ganhando mais músculo para negociar.  No pacote fechado pelos ministros, ontem em conferência de imprensa, Isabela Teixeira (Brasil), Jairam Ramesh (Índia), Edna Molewa (África do Sul) e Huang Huikang (China) anunciaram os seus três elementos “não negociáveis” durante uma conferência de imprensa: um segundo período do Protocolo de Quioto, financiamento rápido de curto prazo (aqueles U$30 bilhões em três anos) e mecanismos de cooperação tecnológica que cubra adaptação.

No entanto, os elementos que estão na feira para barganha vão além destes não-negociáveis, e envolvem preservação de florestas com REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), salvaguardas de proteção de povos indígenas e biodiversidade, o CCS dentro de MDL, energia nuclear e a chamada Análise e Consulta Internacional (ICA), um mecanismo de se verificar as ações feitas pelos países em desenvolvimento com o dinheiro do mercado de carbono.  Pontos fundamentais que envolvem a venda de créditos de carbono de florestas, captura de gás da extração do petróleo, financiamento e outros assuntos, que estranhamente estão sendo objetos de negociações.

Ontem à tarde, a mesa incumbiu pares de países desenvolvidos e não-desenvolvidos específicos de desatar os nós em dois dias.  Estes países tem missões bem específicas, e o Brasil, junto com o Reino Unido, ficaram incumbidos de desatar o segundo período do Protocolo de Quioto, por isso se reuniram com o Japão, Grupo Africano, Rússia e China.

Nestas reuniões e negociações, a natureza está na mesa, e quem pagar mais leva.  A vida não tem preço, tampouco a biodiversidade.  Não podemos barganhá-los.

Nicole, Greenpeace Brasil

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