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Prejuízos decorrentes de impactos causados pelo homem sobre o meio ambiente em 2008 somaram US$ 6,6 bilhões ou 11% do PIB global, segundo relatório do PNUMA dentro da iniciativa Principles for Responsible Investment (PRI), anunciado ontem. O estudo destaca que as três mil maiores companhias do mundo foram responsáveis por um terço de toda a destruição do meio ambiente em 2008, num total de US$ 2,2 trilhões em prejuízos.

Os números, que não se restringem a questões de mudanças climáticas, fazem lembrar do Relatório Stern, que aponta a necessidade de investimento de 1% do PIB mundial anualmente para impulsionar a economia de baixo carbono, reduzindo as emissões de gases do efeito estufa no planeta e impedindo que a temperatura da terra se elevasse acima dos 2o.C. Em outras palavras, um caminho para se reduzir impactos socioambientais no planeta e os custos relacionados a sua mitigação. Por outro lado, a inação levaria, a um cenário de gastos equivalentes a 20% do PIB.

Os números anunciados ontem mostram que a previsão de Stern pode estar se confirmando. Fica a pergunta se relatórios e casos despendiosos como o da BP causarão efeito de curto prazo, em larga escala. Ou seja, governos e empresas deixarão para trás a política de arcar com os grandes desembolsos que exigem as situações de emergência e passarão a se antecipar, apoiar e inovar para estruturar atividades econômicas mais sustentáveis?

A COP de Nagoya e a COP de Cancun são boas oportunidades para governos e empresas mostrarem que estão acordando para os sinais que o planeta, a ciência e a economia vêm mostrando sobre os custos e oportunidades da mudança do clima, da biodiversidade e da economia verde. No caso do Brasil, esse posicionamento acontecerá pouco depois do novo presidente ter sido escolhido e terá bons parâmetros no contexto nacional e internacional: os 20 milhões de votos de Marina Silva, a queda abrupta do eleitorado de Aldo Rebelo, a reeleição de parlamentares que foram contra as alterações no Código Florestal (leia análise do Greenpeace sobre eleições aqui), o investimento pesado da China em energias limpas, o foco de grandes prêmios da comunidade científica, como o Nobel e o Banzelius, em inovação no contexto do baixo carbono.

A lista é gigante. A percepção e a vontade de mudança é que são duvidosas.

Ricardo Barretto, GVces

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