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A sensação de que meio ambiente e economia continuam sendo faces opostas da mesma moeda continua no Brasil. O governo tem a sua frente duas crises que demandam medidas contundentes.

Do lado ambiental, o aumento em 133% nos desmatamentos da Amazônia entre julho e agosto é sinal preocupante de que as medidas oficiais para se reduzir a devastação da floresta não têm surtido efeito. A displicência do ministro Minc no anúnico de fatos e medidas deixa a situação ainda mais séria. (Leia entrevista com Marina Silva).

Do lado econômico, a crise financeira global faz o governo se antecipar ao possível escasseamento de crédito internacional para a agricultura e estudar medidas para jogar mais dinheiro brasileiro no setor. O anúncio dessa iniciativa, no entanto, não veio acompanhado de qualquer ressalva sobre exigências ambientais. A mensagem é clara: o importante é não prejudicar as safras. Os efeitos colaterais, no entanto, podem incluir vistas grossas ao desmatamento irregular, que ajuda a baratear a produção.

Se o novo capítulo da velha crise ambiental brasileira abre uma oportunidade para o governo mostrar que o discurso tem correspondência na prática, o derretimento de Wall Street indica que os índices de desmatamento podem continuar a bater recordes, com a benção oficial.

Medidas como a ampliação do monioramento dos desmatamentos, anunciada no calor da crise ambiental, deveriam ser sinal de uma política mais consistente para o meio ambiente. Mas talvez garantam apenas maior visibilidade aos estragos provocados pela negligência à sustentabilidade que impera no pensamento político brasileiro.

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