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Copenhague amanheceu cinzeta. Conforme acompanho os discursos dos líderes de Estado pela Internet, tenho a sensação de que o mundo todo está num mesmo dia nublado. É a ressaca moral da COP-15.

Pensar que a missão que estava encomendada para a Conferência era simplesmente a de salvar o planeta e que ao final chega-se a menos consensos do que em outras reuniões, permanecem as mesmas divisões que vemos nas negociações climáticas há anos, que os países não conseguem rever suas posições … é realmente decepcionante.

Sim, o discurso de Lula foi empolgante. Sim, ouvir o Chavez espinafrar os Estados Unidos após o papelão do Obama até põe um sorriso no rosto. Mas no fim do dia, continuamos numa trajetória de aquecimento global, de incapacidade de mudanças no tempo que o planeta pede seja em nosso modo de vida, seja nas bases da economia, seja no relacionamento entre as nações. Nossa espécie continua a seguir a rota de não-adaptação à casa que a acolhe.

Vários chefes de Estado já anunciaram o slogan do prêmio de consolação: Copenhague não é o fim. Copenhague é o começo. Algo como: chegamos ao fundo do poço do diálogo internacional; daqui por diante construiremos outro caminho para o planeta. Certo. Não há muito como fugir dessa situação em termos políticos, mas para quem esteve em Copenhague nos últimos dias e vivenciou um dos encontros políticos mais tortuosos da história, seja pela incapacidade de endereçar uma questão que é vital para todos os países, seja pelas dinâmica anti-democrática que se revelou no bloqueio ao diálogo com os páises em desenvolvimento, na elaboração de um documento às escondidas – manobra política desastrosa, para não dizer vergonhasa para a Dinamarca _ e no bloqueio à participação da sociedade civil que tem sido historicamente o agente propulsor de idéias e ações que fizeram a questão do clima avançar.

Se fosse pelos manifestantes que foram reprimidos, imobilizados, presos e tratados como caso de segurança pública, o próximo passo, frente ao descalabro que se tornou a Conferência de Copenhague, seria um movimento mundial de grandes proporções, uma parada geral, um sinal de que a falta de um acordo legalmente vinculante é inadmissível. Ainda temos duas plenáriaspra chegar ao fim da jornada, mas a reação que me vem nesse momento é “cruzemos os braços como os líderes mundiais cruzaram frente ao futuro de toda a humanidade.” 

Ricardo Barretto, GVces

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