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Hoje o dia foi bem difícil para quem tinha crachá amarelo (de Ongs). Falo isso porque no Brasil muitos representantes de Ongs estão credenciados como Parte na própria delegação oficial brasileira (crachá rosa).

Quem chegou com crachá amarelo depois das 10:00 não conseguiu entrar no Bella Center. Quem entrou e queria informações sobre o acesso na quinta-feira teve que passar por uma maratona de falta de informação ou informações incorretas. O comunicado oficial dizia que apenas 1000 representantes de Ongs poderiam entrar na quinta-feira e 90 na sexta-feira. O Secretariado também orientava que as Ongs procurassem suas representações junto ao Secretariado. No caso das Ongs ambientais, o ponto de contato é a Climate Action Network International. Durante todo o dia, a CAN international deixou um aviso da porta de seu escritório (fechado a maior parte do tempo) avisando que só distribuiria entradas para as ONGs filiadas à CAN. Para os não filiados, eles informavam que o Secretariado distribuiria entradas adicionais.

O Secretariado por sua vez, não sabia disso. Após várias tentativas, recebi instruções para voltar às 17:00 no escritório do Secretariado para observadores (Ongs). Às 17:00, fui informada de que a distribuição seria às 20:00. Às 19:15, informaram que a distribuição seria às 20:30 e que seria para quem chegasse primeiro.

Pois bem, às 20:30 dezenas de Ongs se aglomeravam em uma das salas do Bella Center sem qualquer informação do Secretariado. Uma representante de Ongs da Suécia começou a organizar uma lista de chegada para orientar a tão esperada de distribuição de entradas. Finalmente, às 22:00 a representante do escritório do Secretariado para observadores entra na sala em que estavam as Ongs com três policiais armados. Nem precisava falar, pois com essa entrada todos já sabiam que a notícia não era boa.

Ela começou pedindo desculpas pela demora e falou que estava em uma reunião com Yvo de Boer e com os pontos de contatos das Ongs para decidir sobre a entrada na quinta. A princípio, a decisão era de não permitir nenhuma Ong na quinta-feira. Depois, os representantes conseguiram garantir 300 entradas. Porém, as entradas seriam alocadas para os pontos de contato, que então decidiriam sobre a distribuição.

O resumo é que aqueles que esperaram o dia inteiro seguindo as instruções que receberam ao longo do dia não receberam nenhuma entrada. Pontos de contato, como a CAN International, distribuíram as entradas entre seus afiliados.

Depois do comunicado, houve uma hora de comentários por parte de vários presentes na sala. Reclamamos da falta de organização desde o princípio com as Ongs e alguns até pediram para serem reembolsados pelo Secretariado pelas despesas com a viagem à COP! Sugeri que eles usem um sistema on line para facilitar a inscrição de participantes na COP e evitar o caos que foi criado (veja meu post anterior). A resposta que recebi é que o Secretariado está trabalhando nisso e que tem um sistema em teste, mas que preferiram não usá-lo nessa COP com medo de que houvesse algum problema. Bem, os problemas ocorreram mesmo assim…

Ficam os votos de boa sorte a todas as Ongs que estão registradas na delegação brasileira (com crachás rosa) para que consigam entrar no Bella Center amanhã e que representem exemplarmente a todos que ficaram de fora. Os resultados dessa COP ainda são incertos e a participação da sociedade civil junto aos países, mesmo que limitada, será muito importante para tentar garantir um resultado satisfatório na COP-15.

Brenda Brito, Imazon

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