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A última vez em que estive em uma COP foi há 4 anos, em Montreal. Meu interesse principal na época já era a relação entre florestas tropicais e clima e tive meu primeiro contato com REDD. No entanto, as discussões, os side events e exibitions eram praticamente todas voltadas para energia e os “verdes” eram os carbon freaks.

Hoje, andando pelos corredores da COP 15, o cenário é bem diferente. Eu diria que além do assunto mais importante tratado nas reuniões oficiais, que seria o acordo Pós Kyoto (quem entra, qual a meta, como atingi-la etc etc), a questão de florestas – particularmente REDD – domina Copenhague.

É interessante notar que as mudanças climáticas abriram os olhos do mundo para algo que a engloba, o desequilíbrio ambiental provocado pelo homem no nosso planeta. As secas, enchentes, furacões e assim por diante são fruto deste desequilíbrio, assim como a perda da biodiversidade, maquinário essencial para a maior e mais completa prestadora de serviços do mundo, a natureza. De purificadores de água a refrigeradores naturais, de polinizadores a aspiradores e armazéns de carbono, os serviços ambientais prestados a nós por um ambiente em equilíbrio têm um valor inestimável para o homem, ou seria invalorável?

A dificuldade em se medir e valorar todos os serviços é até hoje a maior falha do nosso sistema económico: as chamadas externalidades. Está em andamento um esforço mundial para tentar corrigir esta falha, o Projeto TEEB – The Economics of Ecossistems and Biodiversity (www.teebweb.org/), que tenta estimar os impactos econômicos da degradação ambiental que o mundo enfrenta. Dados preliminares do Projeto estimam um prejuízo na ordem de 50 bilhões de euros por ano, causados pela degradação ambiental e consequente perda dos serviços ambientais.

O mercado de carbono, criado pelo Protocolo de Kyoto é talvez o exemplo de maior sucesso na mensuração e valoração de um serviço ambiental. Portanto, Kyoto foi importantíssimo para o estabelecimento de metodologias e tecnologias, para o engajamento e como projeto piloto do que está por vir. Kyoto, no entanto, ficou longe de realmente fazer uma diferença real no que diz respeito às emissões globais de CO2e, e é por isso que o mundo coloca hoje tanta esperança em Copenhague.

O que se ouve pelos corredores do Bella Center aquí em Copenhague é que o “acordo político vinculado” ou “Protocolo de Copenhague”, ou seja, um comprometimento oficial e sem volta das nações com novas metas de redução de emissões, não vai acontecer. Apesar disso, vago pelo local do evento com um certo otimismo ao ver o protagonismo que as florestas têm desempenhado na COP15. Tudo indica que as negociações a respeito de REDD na COP15 estão bem avançadas e que poderemos sair daqui com um acordo mundial.
Sendo assim, vejo “Hopenhagen” cada vez mais longe e, por outro lado, uma COP realmente verde se materializando.

Roberto Strumpf, GVces

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