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Foto de Rodrigo Baleia, do Greenpeace, postada no portal Globo Amazônia

Recentes contribuições da imprensa para a questão do clima têm ajudado a colocar a urgência do assunto em pauta. Um bom exemplo é o portal Globo Amazônia, lançado em agosto pela Rede Globo, que permite ao usuário vigiar o desmatamento da floresta por meio de um mapa interativo atualizado em tempo real a partir de informações do INPE. De acordo com o G1, os protestos feitos pelos usuários poderão embasar reportagens sobre casos de desmatamento, com denúncias às autoridades e cobrança por ações de resposta. Para se ter uma idéia do potencial da ferramenta, o G1 noticiou que, no primeiro dia de funcionamento, mais de 680 mil protestos foram registrados.

Fica evidente o poder de contribuição da mídia para informar e mobilizar o público.

Mas a atual crise ambiental exige coesão nas atitudes. Além de ferramentas de interatividade, informação e criação de pautas é preciso que a proatividade esteja presente também no dia-a-dia das empresas midiáticas. Assim como instituições financeiras estão aos poucos estabelecendo critérios ambientais para conceder financiamentos, as empresas de mídia também devem ser seletivas no que se refere a anunciantes. De que adianta mostrar o desmatamento na Amazônia se o intervalo comercial de uma emissora ou as páginas de um grande jornal anunciam produtos e serviços que resultam na degradação direta ou indireta do meio ambiente.

A mesma coerência deve ser observada nas pautas. Ainda é comum, por exemplo, vermos reportagens denunciando o problema da poluição nas grandes cidades em uma editoria de cotidiano ou ciência, enquanto na parte econômica se comemora o aumento da venda de veículos. Não deveria ser necessário lembrar que o benefício perde a força ao ser comparado com os impactos econômicos da poluição sobre a saúde, do trânsito sobre questões de logística, custos de mobilidade e tempo das pessoas, e do aquecimento global sobre a economia e a sociedade.

Outro exemplo é a pecuária, que recentemente mostrou sinais de reaquecimento no mercado exportador, após período de retração. Sob o foco isolado da economia, a informação é positiva. Mas sabendo que esse tem sido o principal vetor de desmatamento da floresta amazônica, de acordo com o INPE, e que o desmatamento é a principal fonte de emissões de gases do efeito estufa no Brasil, é fundamental pressionar para que esse reaquecimento aconteça sob padrões de sustentabilidade.

Vale lembrar que recentemente o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, afirmou que o mundo deve comer menos carne para reduzir as mudanças climáticas. Leia aqui

Se a intenção de lidar com a crise ambiental é sincera, a prática deve ir além de ações isoladas, mesmo porque o meio ambiente só sabe agir de forma integrada.

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