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Concentração de CO2 na atmosfera ultrapassa barreira simbólica de 4 centenas de partes por milhão e pode superar limiar da catástrofe em 25 anos, sugere estudo de grupo internacional

 

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CLAUDIO ANGELO

DO OC

Algumas coisas desagradáveis são para sempre: ex-cônjuges, impostos e, agora, 400 partes por milhão de CO2 na atmosfera. Perto do último item, os dois primeiros são uma bênção.

Um grupo internacional de cientistas acaba de publicar um estudo no qual prevê que a concentração de dióxido de carbono no ar em 2016 terá a maior elevação de todos os tempos e terminará o ano no patamar de 404 ppm. Ou seja, em cada milhão de moléculas de ar no planeta, haverá 404 do principal gás de efeito estufa de origem humana.

Dito assim parece pouca coisa. Mas, nos últimos 800 mil anos, essa concentração jamais ultrapassou 300 ppm. E, quando chegou nesta faixa, o mar subiu cerca de 10 metros no mundo todo, devido ao derretimento do gelo da Groenlândia e de parte da Antártida.

É que o gás carbônico segue a máxima segundo a qual os piores venenos estão nos menores frascos: ele é tão eficiente em aprisionar o calor irradiado pela Terra na atmosfera que mesmo uma quantidade ínfima tem grande potencial de aquecer o planeta.

Então, 404 ppm definitivamente não parece um limiar recomendável para cruzar. Só que é tarde demais agora: o climatologista Richard Betts, do Met Office britânico, e seus colegas afirmam que não retornaremos tão cedo a patamares de concentração de CO2 menores do que 400 ppm. Mesmo que a taxa anual de acúmulo desse gás no ar caia nos próximos anos em relação a 2016 – o que é muito provável que aconteça –, a humanidade poderá ultrapassar o limite de 450 ppm em cerca de 25 anos. Este é o limite que separa o mundo de um aquecimento potencialmente catastrófico neste século.

A nova análise foi publicada nesta segunda-feira (13) na edição on-line da revista Nature Climate Change. Ela tem entre seus autores o americano Ralph Keeling, da Universidade de San Diego, que dedica sua vida a medir CO2 no alto do vulcão Mauna Loa, no Havaí. Trata-se de um antigo negócio de família, que rendeu ao mundo uma das constatações mais chocantes sobre o aquecimento global.

TAL PAI, TAL FILHO

Keeling ainda não era nascido em 1958, quando seu pai, Charles, instalou no alto do mesmo vulcão o primeiro equipamento para medir as concentrações de CO2 na atmosfera. A pesquisa de Charles Keeling tinha como objetivo comprovar ou não a tese de um professor dele, Roger Revelle, de que o CO2 produzido por atividades humanas estava se acumulando perigosamente no ar e aquecendo o planeta. A resposta, dada já ao final do primeiro ano de medições, era positiva.

Keeling pai iniciou uma série de medidas mensais do CO2 que resultou em um dos gráficos mais famosos da história da ciência, a chamada curva de Keeling (que ilustra esta página). As medições foram continuadas por Ralph após a morte de Charles, em 2005.

A curva é cheia de “dentes”, que correspondem à variação sazonal da quantidade de carbono no ar: esta sobe no outono e no inverno, quando as florestas do hemisfério Norte perdem suas folhas (liberando carbono por decomposição), e cai na primavera e no verão, quando ocorre a rebrota (e o sequestro de CO2 do ar). Ano após ano, porém, o que a curva mostra é um crescimento contínuo das concentrações do gás. No primeiro ano de medição, havia 315 ppm de CO2 na atmosfera. Em 2013, o limiar de 400 ppm foi cruzado pela primeira vez no outono, no pico sazonal. Mas a média anual ainda estava abaixo disso. Em 2015, o valor anual fechou em 400,9 ppm.

Na última década, a concentração de gás carbônico no ar tem crescido a uma taxa média de 2,1 ppm por ano. Só que em 2016 ela deve ser ainda maior: 3,15 ppm. Trata-se de uma previsão feita por Betts, Ralph Keeling e colegas com base no comportamento de dois fatores conhecidos: o ciclo de carbono, que inclui as emissões de CO2 por desmatamento e combustíveis fósseis, e as temperaturas do oceano, que determinam quanto CO2 dissolvido no mar acabará na atmosfera (quanto mais quente, menos CO2 o mar absorve).

A aceleração prevista se deve, neste ano, ao malvado favorito do momento entre os climatologistas: o El Niño. O fenômeno cíclico do aquecimento do Oceano Pacífico aumenta a emissão de carbono por ecossistemas tropicais e o risco de incêndios florestais, como ocorreram em 1998 na Amazônia e na Indonésia e neste ano novamente na Indonésia.

O modelo usado pelos pesquisadores para fazer sua previsão da concentração anual foi testado para alguns meses deste ano. A previsão era a de que o CO2 chegasse a 407,57 ppm em maio e 406,7 em abril. A medição no Mauna Loa, porém, registrou 407,57 ppm já em abril, o que sugere que o modelo pode ser ligeiramente otimista. A força do El Niño deste ano é tamanha, notam os pesquisadores, que a alta é esperada mesmo com a ligeira queda na taxa de emissões por uso de energia no mundo entre 2014 e 2015.

Mas e depois que o El Niño passar e o planeta entrar na fase fria conhecida como La Niña, ainda este ano?

“As concentrações mínimas anuais de CO2 poderiam cair novamente abaixo de 400 ppm? Isso é excepcionalmente improvável”, escreveram os autores. Aqui quem entra em ação para controlar a marionete do CO2 são as emissões humanas. E, mesmo no cenário mais benigno de emissões descrito pelo IPCC, o painel do clima da ONU – um cenário que envolve sequestro maciço de carbono em usinas de bioenergia e que Keeling, Betts e colegas dizem que é também pouco crível de alcançar –, as concentrações ficam acima de 400 ppm até o ano 2150. “Portanto, nossa previsão apoia a sugestão de que o registro do Mauna Loa não voltará a mostrar concentrações menores que 400 ppm no nosso tempo de vida.”

 

 

 

 

 

 

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Pesquisadores do Canadá acabam de recalcular quanto o mundo esquentaria caso resolvêssemos torrar todos os combustíveis fósseis ainda existentes; limite é maior do que se imaginava

 

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CLAUDIO ANGELO
DO OC

Nove graus Celsius e meio. É isso o que a Terra poderá esquentar nos próximos 250 a 300 anos caso a humanidade resolva torrar todas as reservas de combustíveis fósseis existentes. Claro, esta seria a média: o Ártico, mais sensível, esquentaria até 19,5oC. E o centro-sul do Brasil, que já aqueceu mais do que o resto do mundo, poderia chegar quase lá.

Os números vêm de um estudo canadense que acaba de ser publicado no site do periódico Nature Climate Change. É até difícil imaginar o que seria viver num planeta sob essa temperatura – assumindo, claro, que a manutenção da vida humana fosse possível. Mas pense por um momento no que tem sido seu dia-a-dia no último ano e meio, com um globo “apenas” 1oC mais quente. Você não vai querer chegar a 2oC, o limite máximo de aquecimento prometido pelos governos no Acordo de Paris, além do qual os impactos da mudança do clima poderão sair do controle. E de jeito nenhum flertaria com a ideia de 9,5oC.

Trata-se de um limite teórico. Uma situação extrema, do tipo “deu a louca no gerente”, “Donald Trump presidente do mundo”, ou algo assim. Um cenário muito improvável, no qual todos os países do mundo resolvessem manter a matriz energética global do jeitinho que ela é – ou melhor, era até poucos anos atrás –, partindo para a exploração das reservas comprovadas de carvão, petróleo e gás até o último metro cúbico.

No entanto, é preciso levar tal cenário em conta para balizar os esforços globais de mitigação, afirmam os autores do novo estudo, liderado por Katarzyna Tokarska, da Universidade de Victoria, no Canadá. O que eles mostraram foi que o limite teórico de aquecimento da Terra é maior do que se imaginava até agora, uma afirmação cujo único corolário possível é que a maior parte das reservas de combustíveis fósseis terão de ficar no subsolo – e isso inclui o pré-sal do Brasil.

Tokarska e colegas resolveram forçar os modelos computacionais que simulam o clima da Terra ao máximo, para testar uma ideia que lhes parecia estranha: o planeta teria uma espécie de termostato no qual a temperatura varia em sincronia com o aumento dos gases-estufa no ar até um certo ponto: 2 trilhões de toneladas de carbono, ou 7,2 trilhões de toneladas de CO2 no ar. Depois desse ponto, o tal termostato não funcionaria mais com a mesma precisão e o aumento de temperatura desaceleraria, mesmo com o aumento contínuo das emissões. Mecanismos de autorregulação do planeta entrariam em ação, impedindo a subida linear do termômetro.

O grupo canadense descobriu que esse não é o caso. Para isso, os cientistas usaram quatro modelos globais do clima de último tipo, os mesmos usados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) em seu último relatório, de 2013.

Eles fizeram rodar os modelos em computador até o ano 2300 no cenário de emissões mais pessimista. E concluíram que o termostato global se mantém firme e forte mesmo a altíssimas concentrações de carbono: a relação CO2-temperatura é linear até mesmo no cenário extremo de 5 trilhões de toneladas de carbono, ou 18 trilhões de toneladas de CO2 emitidas. É mais ou menos o que contêm as reservas comprovadas de combustíveis fósseis.

Um mundo de 9,5oC não teria gelo em lugar nenhum. A Antártida e a Groenlândia inteiras derreteriam, elevando o nível global dos mares em pelo menos 60 metros. Temperaturas extremas e mudanças nos oceanos causariam extinções em massa. Já com 4oC de média alguns estudos têm sugerido que vários milhões de pessoas poderiam morrer em regiões como o centro-sul do Brasil, que neste século pode ficar 8oC mais quente.

Felizmente, por um lado, a economia política global parece estar nos desviando dessa trajetória. O consumo de carvão mineral parece ter chegado ao pico em países como EUA e China ao mesmo tempo em que fontes renováveis estão cada vez mais baratas e são adotadas em escala cada vez maior. As promessas feitas pelos países no Acordo de Paris, as INDCs, propõem algum grau de redução de emissões: mesmo que insuficiente para garantir a estabilização da temperatura em menos de 2oC, elas permitem afastar cenários de 4oC ou mais.

Infelizmente, porém, não há nada no sistema internacional ou na estrutura do Acordo de Paris que garanta o cumprimento das INDCs, ou mesmo a adoção de novas e mais ambiciosas metas pelos países. Afinal, todas as contribuições são voluntárias, e todas as decisões de mitigação pertencem, por assim dizer, ao foro íntimo de cada país. E há países que chegaram recentemente à farra fóssil e não planejam sair dela tão cedo – como o Brasil. Mesmo que o limite de temperatura do novo estudo seja um pesadelo distante, há muito mais estrago entre 1oC e 9,5oC do que sonha a nossa climatologia.

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DO OC

Atire o primeiro leque quem nunca sentiu aquela leseira ao tentar trabalhar num dia de calor forte. Um grande estudo do Pnud (Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento) publicado nesta semana mostrou que os países tropicais têm sofrido quedas na produtividade dos trabalhadores devido ao aumento das temperaturas globais nos últimos 30 anos. E esse quadro só vai se agravar nas próximas décadas, causando perda em horas de trabalho e tornando os países pobres ainda mais pobres – mesmo que nós consigamos manter o aquecimento global no limite de 1,5oC proposto no Acordo de Paris.

Listamos abaixo sete conclusões do estudo que farão você temer pela saúde dos trabalhadores, especialmente os braçais, e desejar que o outono não acabe nunca.

1 – Trabalhar no calor de fato faz mal à saúde. O corpo humano só funciona direito em temperaturas internas próximas de 37oC. Quando a temperatura externa se é maior que esse valor, o organismo tenta compensar pelo suor. Só que a alta umidade relativa do ar em alguns lugares e épocas do ano e as roupas de trabalho impedem que o suor evapore. O resultado é que o corpo pode entrar em choque por insolação, que no limite é fatal. A maneira como o cérebro tenta evitar isso é reduzir o ritmo de funcionamento do organismo – e, portanto, o ritmo de trabalho, especialmente em atividades que demandam esforço físico.

2 – A medida de “calor extremo” varia de lugar para lugar. Não é preciso estar no verão de Cuiabá para sofrer redução de produtividade por calor. A chamada WGBT, ou “temperatura de bulbo úmido”, índice que mede a tolerância do corpo humano, varia em função de calor, radiação solar, umidade e vento. O limite pode ser inclusive menor que 37oC. Para trabalho pesado, perdas de produtividade começam a ocorrer a 26oC de WGBT.

3 – O impacto em perda de horas de trabalho pode ser dramático. Um estudo recente feito com trabalhadores na colheita de arroz na Indonésia mostrou perda de um terço das horas de trabalho quando a temperatura de bulbo úmido subia de 26oC para 31oC. É possível reduzir o impacto com uma a duas semanas de aclimatação, mas há limites.

4 – Perdas de produtividade por calor já vêm sendo registradas nos últimos 30 anos nos países pobres. Até 2009, a América Latina já havia perdido 2% de suas horas de trabalho durante o dia por estresse térmico. Em regiões como o Sudeste Asiático e o oeste da África as perdas chegam a 7%.

5 – Vai piorar. Hoje em dia, de 10% a 15% das horas de trabalho por ano no mundo já são quentes demais para a manutenção da produtividade. Esse número aumentará mesmo que o aquecimento global seja mantido em 1,5oC. Com 2,7oC neste século (limite inferior de temperatura dado pela soma das metas de corte de emissões dos países), esse número crescerá 10%. Com 4oC, 30%. Para os mais pobres, que geralmente realizam atividades mais dependentes de exposição ao sol, mais calor significa menos trabalho e menos dinheiro no fim do mês. O Pnud aponta que os próprios Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de redução da pobreza ficam ameaçados pelas altas temperaturas.

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Temperatura média global em fevereiro é a mais alta já medida desde 1880 e surpreende até os responsáveis pelo registro

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DO OC

Dados divulgados no sábado pela Nasa confirmam que fevereiro foi o mês mais quente da história desde que a humanidade iniciou os registros globais de temperatura, em 1880. A média do mês foi 1,35oC mais alta do que o período entre 1951 e 1980, batendo de longe a anomalia recorde anterior, que pertencia a janeiro de 2016 (1,14oC). O trimestre dezembro-fevereiro também é o mais quente da série, com 1,2oC.

O período de referência usado pela Nasa é, ele próprio, mais quente que o período pré-industrial em cerca de 0,3oC. Portanto, é provável que o globo tenha, pelo menos nesse, mês, ultrapassado o 1,5oC de aquecimento em relação à era pré-industrial que prometemos tentar evitar com o Acordo de Paris, assinado no ano passado. Em seu blog na revista Slate, o meteorologista americano Eric Holthaus, que havia antecipado o teor dos dados da Nasa na semana passada, ressalta que, no hemisfério Norte, a temperatura ultrapassou até mesmo o limite de 2oC. No Ártico, que liderou a tendência de calor global do mês, a temperatura foi 4oC mais alta do que a média do mês.

A temperatura global em um único mês não informa muita coisa sobre a média ano a ano, que é o que realmente importa para distinguir tendências no clima. Embora o limite de 1,5oC tenha sido ultrapassado em um mês, isso não quer dizer que essa será a média de 2016 (embora a previsão seja de que este ano será ainda mais quente que 2015, que foi mais quente que qualquer outro ano nas medições globais) ou que o aquecimento da Terra seja uma marcha inexorável de um ano mais quente que o outro (embora o biênio 2014-2015 passe exatamente essa impressão).

Mas o pico de calor no mês passado, em pleno inverno do hemisfério norte, deixou de queixo caído até os cientistas que fazem os registros. O diretor do Centro Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, Gavin Schmidt, soltou um único comentário a respeito em sua conta no Twitter: “Uau”. E elaborou: “Normalmente eu não comento sobre meses individuais [nos quais a variabilidade meteorológica, de curto prazo, é muito maior que a climática, o que pode distorcer a percepção], mas o mês passado foi especial”.

O El Niño monstro que ainda esquenta o Pacífico neste ano é visto como cúmplice do recorde, mas de maneira alguma o único culpado. Como lembra o também meteorologista Jeff Masters em seu blog, fevereiro de 2016 deixou no chinelo fevereiro de 1998, que também sofreu o efeito de um El Niño monstro e até então detinha o recorde de fevereiro mais quente, com 0,88oC de anomalia (uma diferença de impressionantes 0,47oC entre ambos).

“Estamos acelerando a uma velocidade assustadora rumo ao limite acordado globalmente de 2oC de aquecimento em relação à era pré-industrial”, escreveu Masters.

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Pelo segundo ano consecutivo, a China apresentou uma queda no uso de carvão e, consequentemente, nas emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis. O uso do carvão caiu 3,7% em 2015 na comparação com o ano anterior, de acordo com dados do governo. Em 2014, o país já havia registrado uma queda de 2,9%. De acordo com análise do Greenpeace, as emissões chinesas podem ter caído 2,3% em 2015, após queda de 0,8% no ano anterior – o primeiro registro de queda nas emissões.

 

Gráfico do Greenpeace mostra variação nas taxas de emissão por uso de carvão na China.

O resultado é uma consequência da desaceleração no crescimento econômico, mas também das iniciativas para redução de poluição local e política de clima adotada nos últimos dois anos. As menores taxas de crescimento são “o novo normal” da China, de acordo com analistas, e o país tem investido pesadamente em renováveis. Ou seja, tudo nos leva a crer que a redução nas taxas de emissão também são o novo normal chinês.

O governo do país anunciou nesta semana que fechará 1,8 milhão de postos de trabalho nas siderúrgicas e na indústria de carvão – as que mais poluem no país. A meta da China apresentada às Nações Unidas como contribuição para o acordo do clima prevê que o pico de emissões se dará em 2030. Com este ritmo, pode ser que o pico ocorra antes do previsto. Além disso, as energias renováveis estão em plena ascensão na China. A energia eólica cresceu 34% no ano passado, e a solar, 74%.

Ao Guardian, Lauri Myllyvirta, ativista do Greenpeace, afirmou que os dados são positivos, mas é preciso mais. “As estatísticas mostram que a China está a caminho de superar suas metas climáticas de Paris, o que é uma grande notícia para todos”, disse. “No entanto, a tendência não está se movendo tão rápido quanto poderia.”

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DO OC

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Depois de seis indicações ao Oscar, Leonardo Di Caprio finalmente levou a sua estatueta de melhor ator para casa e não desperdiçou o tempo em que tinha os olhos do mundo inteiro voltados para ele: em seu breve discurso na cerimônia de entrega do prêmio, pediu urgência na ação climática. “Fazer ‘O Regresso’ foi sobre a relação de um homem com o mundo natural. O mundo que nós sentimos em 2015 como o ano mais quente da história”, disse, contando que a produção do filme teve que ir para o extremo sul do planeta para encontrar neve para as filmagens. “As mudanças climáticas são reais, estão acontecendo agora. É a ameaça mais urgente para toda a nossa espécie, e precisamos trabalhar juntos e parar de procrastinar.” Ele também falou de povos mais vulneráveis e da responsabilidade para com as gerações futuras.

Veja o discurso na íntegra.

O ator, produtor e ativista também já havia falado sobre clima na entrega do Globo de Ouro e recentemente fez um acordo com a Netflix para lançar filmes e documentários sobre meio ambiente no serviço de streaming.

Di Caprio esteve na COP21, a conferência de clima das Nações Unidas em dezembro de 2015, onde pediu que os líderes de todo o mundo não esperassem por outra conferência para chegar a um acordo. A presença do ator já é normal em eventos como a COP. Neste ano, já encontrou o papa Francisco, outro ativista “pop”, para falar sobre meio ambiente.

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Apertem os cintos e ajustem o ar-condicionado: 2016 começou com tudo e janeiro já bateu o recorde de mês mais quente da história. De longe. De muito longe.

Segundo dados da Nasa divulgados pelo blog Future Tense, da revista americana Slate, o mês passado foi 1,13oC mais quente em relação do que a média do período 1951-1980. Os cientistas chamam isso de “anomalia de temperatura”, que significa simplesmente um desvio em relação à média de um determinado período.

O primeiro mês deste ano deixou no chinelo o recorde anterior, pertencente a janeiro de 2007 (0,95oC)., e muito no chinelo janeiro de 2015, o então segundo colocado – o ano passado, lembre-se, foi também por folgada margem o mais quente já medido desde que os seres humanos começaram a marcar dados globais de temperatura com termômetros, em 1880. Em janeiro de 2015 a anomalia foi de 0,81oC.

A agência meteorológica do Japão confirmou a anomalia, mas usa períodos diferentes de comparação: segundo os japoneses, o desvio em janeiro foi de 0,52o C em relação à média 1981-2010 e de 0,91oC em relação ao século XX.

Seja qual for a medida, é um calor da peste.

Até os parafusos dos satélites da Nasa já sabiam que as perspectivas para este ano eram de superar o recorde de 2015. Isso se deve em parte ao El Niño, que começou no ano passado e deve exercer a maior parte de seu estrago climático cíclico neste ano. Os climatologistas, porém, dizem que há um sinal inequívoco de aquecimento global nos recordes – e que, mesmo sem El Niño, 2015 seria o ano mais quente. E outros se sucederão a ele, enquanto nada for feito a sério para cortar emissões de gases de efeito estufa.

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Ao contrário, tempestades como a que matou 25 na Costa Leste podem ficar mais frequentes

 

madov                                  Carro coberto de neve em Nova York na segunda-feira (Foto: Natasha Madov)

 

CLAUDIO ANGELO

DO OC

Lá vêm eles de novo. Não vai faltar gente nesta semana compartilhando fotos de Nova York e Washington parcialmente cobertas pela tempestade de neve Jonas (ela ganhou nome, uma honraria reservada apenas a tormentas muito fortes) e perguntando “cadê o aquecimento global?”

Depois de cinco relatórios do IPCC, o Painel do Clima da ONU, era de imaginar que as pessoas tivessem aprendido. Mas vamos lá: o aquecimento global está exatamente ali, em cada rua bloqueada e em cada carro soterrado. E, mais tragicamente, em cada um dos 25 mortos que a nevasca deixou na Costa Leste do país.

Longe de ser uma evidência contra a mudança climática, Jonas, que despejou quase 1 metro de neve em um dia em algumas regiões de Nova York,  é o tipo de fenômeno previsto há muito nos modelos computacionais de clima no caso de um planeta em aquecimento. Por uma razão simples: mais CO2 na atmosfera significa mais calor. Mais calor significa mais evaporação da superfície dos oceanos e mais energia na atmosfera. E mais evaporação e mais energia significam mais combustível para tempestades de chuva e neve – e precipitações mais concentradas num intervalo menor de tempo. Onde chove, chove mais forte. Onde neva, neva mais forte.

Homem esquia pelas ruas de Washington durante a tempestade (Foto: João Fellet)                     Homem esquia pelas ruas de Washington durante a tempestade (Foto: João Fellet/Facebook)

No caso da Costa Leste dos Estados Unidos, os cientistas têm apontado como possível influenciador da força das nevascas o aquecimento anormal da água do Atlântico naquela região – três vezes mais do que a média de aquecimento do mar no mundo.

O alemão Stefan Rahmstorf, do Instituto de Pesquisa de Impactos Climáticos de Potsdam, chegou a levantar uma hipótese, ainda altamente especulativa, de que mudanças na circulação ali possam estar relacionadas com a “mancha fria”, uma porção do Atlântico Norte ao sul da Groenlândia que tem batido recordes de frio (de fato, foi um dos poucos lugares do planeta que esfriaram nesta década), talvez por causa de um enfraquecimento da corrente marinha que leva calor dos trópicos para a Europa.

Segundo Rahmstorf, a formação da “mancha fria”, possivelmente ajudada por aportes de água doce provenientes do degelo da Groenlândia, está causando mudanças de circulação que levam a água quente a se “empilhar” no litoral dos EUA.

A climatologista americana Jennifer Francis, da Universidade Rutgers, também propôs uma explicação para as nevascas extremas nos EUA: a perda do gelo marinho no Ártico e das neves da Sibéria está causando mudanças na circulação atmosférica. A chamada corrente de jato, nome dado aos ventos de altitude que circundam as zonas setentrionais, está mais lenta – e isso permite que massas de ar do Ártico penetrem mais ao sul, despejando pilhas de neve sobre os EUA.

É mais um paradoxo entre tantos da mudança climática.

 

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OK, nós sabemos, isso está ficando repetitivo. Pedimos desculpas aos leitores, mas temos de reportar mais um recorde climático negativo: a concentração de dióxido de carbono chegou a 402,1 partes por milhão (ppm) na primeira semana de janeiro de 2016. Feliz Ano Novo pra vocês também.

O índice foi registrado no Observatório do Mauna Loa, no alto do vulcão homônimo no Havaí, onde desde 1958 cientistas americanos medem a variação na concentração do principal gás de efeito estufa na atmosfera. Como fica no meio do oceano e longe de fontes de poluição, o Mauna Loa é considerado um sítio representativo das concentrações de CO2 da Terra.

O número importa porque a concentração de CO2 no ar é um indicador de aquecimento global. Temperatura e CO2 sempre variaram simultaneamente nos últimos 800 mil anos, e nos últimos 800 mil anos (e possivelmente nos últimos 3,5 milhões de anos) a concentração desse gás-estufa jamais ultrapassou 300 ppm. Os modelos climáticos sugerem que dobrar a concentração de CO2 na atmosfera em relação ao período pré-industrial (ou seja, atingir algo em torno de 550 ppm) fará o planeta esquentar 3 graus Celsius. Para manter a temperatura dentro de limites nos quais é possível a humanidade se adaptar, é preciso limitar a concentração a, no máximo, 450 ppm. Em 2014 nós ultrapassamos o limite das 400 ppm pela primeira vez, e começamos 2016 com 402,1 ppm.

Por enquanto, trata-se de uma flutuação sazonal. É inverno no hemisfério Norte, que concentra a maior parte das terras e da vegetação do globo, e o CO2 sobe devido à queda e à decomposição das folhas nas florestas temperadas, para cair de novo na primavera. Só que, mantido o ritmo de aumento da concentração desse gás no ar visto na década passada, teremos atingido o limite de 450 ppm em cerca de 20anos.

A boa notícia é que, nos últimos dois anos, esse ritmo parece ter desacelerado. Em 2014, o crescimento foi de apenas 0,6%, e em 2015 a previsão é também de crescimento baixo ou até mesmo de uma queda de 0,6%. São números cheios de incerteza e não indicam necessariamente uma tendência, mas desacelerar o crescimento da concentração de carbono no ar agora ajudaria a humanidade a ganhar tempo para implementar o Acordo de Paris — e, quem sabe, evitar os piores cenários de aquecimento global.

 

 

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DO OC

Aparentemente a Terra não prestou atenção à Conferência de Paris e segue esquentando, apesar da promessa dos governos de resolver o problema em algum momento deste século. Segundo informou nesta segunda-feira o serviço meteorológico do governo britânico, o Met Office, as temperaturas globais devem bater novo recorde em 2016.

Uma atualização da previsão do ano, divulgada nesta segunda-feira no site do Met Office, indica que a temperatura média global em 2016 deve ser 0,84oC mais alta do que a média do período 1961-1990. Se confirmada, essa tendência trará um feito inédito no registro climático global: três recordes históricos de temperatura máxima batidos em três anos consecutivos.

Senão vejamos: 2014 foi o ano mais quente desde que as medições globais começaram a ser feitas com termômetros, em 1880: as médias naquele ano foram 0,61oC mais altas do que no período 1961-1990. Os registros de 2015 indicam que apenas entre janeiro e outubro o recorde de 2014 já havia sido batido, com 0,72oC. Como não se tem notícia de uma onda de frio global entre novembro e dezembro, nem a chegada do inverno ao hemisfério Norte atenuou a alta, e 2015 provavelmente superou 2014 como ano mais quente da história.

No ano passado, graças a um El Niño que vem sendo chamado de “Godzilla”, o aquecimento global bateu 1oC em relação à era pré-industrial. O efeito do El Niño, somado ao da mudança climática, deve garantir a continuidade do calorão neste ano.

O Met Office diz não esperar que o futuro seja assim, com um recorde de temperatura batido atrás do outro, indefinidamente (ufa). Afirma, porém, que as mudanças causadas pelo acúmulo as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera têm a indesejável propriedade de potencializar flutuações naturais do clima, como os El Niños e as variações em ciclos naturais dos oceanos, como a Oscilação Decadal do Pacífico e a Oscilação Multidecadal do Atlântico.

Esses fenômenos naturais alteram de tempos em tempos a circulação marinha, que é o coração do sistema climático global, e são capazes de esquentar ou resfriar o mundo sem nenhum auxílio externo.

No Brasil, que teve uma série de recordes de temperatura quebrados no ano passado e, isso poderá significar um verão escaldante, como os cariocas já descobriram, e uma continuidade dos problemas de abastecimento de água em São Paulo. Em Brasília, onde chuvas abundantes marcam um verão quase normal (costuma ser uma época de temperaturas amenas na capital), o preço dos condicionadores de ar começa a cair. Como eles provavelmente serão muito necessários no outono, fica a dica.